O que podemos aprender

Uma jornada entre o céu ao inferno em um clique

O vacilo da Kodak e a derrocada de uma das maiores marcas do mundo

Steven J. Sasson mostra o protótipo da Câmera digital que ele criou em 1975 (AP Foto/David Duprey)

No seu auge, a Kodak vendia 90% do filme fotográfico nos EUA e 50% em todo o planeta, além de 85% das câmeras. Empregava 145.000 pessoas no mundo. 60.000 apenas na cidade de Rochester, nos Estados Unidos, sua sede. A maioria ficou desempregada quando a empresa quebrou.

O principal negócio da Kodak era vender filmes (fotográfico e cinematográfico) e seus derivados, como papeis para ampliação e a química para revelação, que hoje existem apenas para satisfazer as experiências sensoriais de jovens ávidos pela tecnologia do passado.

A chegada da câmera digital acabou com uma empresa que se pensava imbatível

Ironicamente, o primeiro protótipo de câmera digital foi criado em 1975 por Steve Sasson, um engenheiro que trabalhava para a própria Kodak. A câmera era do tamanho de uma caixa de sapatos, demorava 20 segundos para tirar uma foto de péssima qualidade e exigia conexões complicadas com uma televisão para ver. Uma beleza!

QuickTake Apple

O próprio Sasson disse ao The New York Times que ouviu dos chefes que “é legal, mas não conte a ninguém sobre isso”. Não é que a Kodak tenha deixado de imaginar um novo futuro. A primeira câmera digital da Apple, a QuickTake, utilizava tecnologia Kodak, foi lançada em 1994 e custava 750 dólares.

Dizem que a Kodak inventou a tecnologia, mas não investiu nela

Na verdade, a Kodak botou muita grana em suas câmeras digitais. O problema é que eles investiram em produtos caros e sofisticados, tentando logo equiparar a qualidade do digital com os filmes tradicionais. Uma das primeiras versões das câmeras digitais da Kodak, a DCS-100. Montada no corpo de uma Nikon e acompanhada de uma unidade de armazenamento na qual se conectava, custava míseros 20 mil dólares. Enquanto isso, todo o mercado seguia oi caminho da simplicidade.

Kodak DCS-100 e sua unidade de armazenamento

Eles até tiveram um site de arquivamento de fotos, mas acabaram vendendo por não saber lidar direito com ele. A proposta era guardar as fotos para imprimi-las quando quisesse. Ou seja, a Kodak criou uma câmera digital, investiu na tecnologia e até mesmo compreendeu que as fotos seriam compartilhadas on-line. Eles não imaginaram que o compartilhamento de fotos on-line era o novo negócio, não apenas uma maneira de expandir o negócio de impressão.

O filme não queimou totalmente

A Kodak emergiu da bancarrota, uma empresa muito menor, mas lucrativa. Ela vem vivendo de suas 7.000 patentes e desenvolvendo tecnologias em imagem digital e telas sensíveis ao toque. No terceiro trimestre de 2016, registrou lucros modestos de US $ 12 milhões.

Os 128 anos que foram para o saco

George Eastman, à esquerda, fundador da Kodak em 1892, e Thomas Edison posam com suas invenções nesta foto (analógica) do final dos anos 1920

1884 O inventor americano George Eastman, que mais tarde se tornará fundador da Eastman Kodak Company, patenteia o filme fotográfico armazenado em um rolo.

1888 O nome da Kodak vira marca registrada. A primeira câmera Kodak da Eastman é lançada e custa cerca de 25 dólares (cerca de 2 mil reais no dinheiro de hoje).

1891 A empresa abre sua primeira fábrica internacional no subúrbio londrino de Harrow, aproveitando o crescente mercado fotográfico da Europa.

1900 A Kodak lança a câmera Brownie, ao preço de 1 dólar, que é faz sucesso por trazer a fotografia para as massas.

1922 A Kodak produz 235 mil quilômetros de filme cinematográfico por ano, usando um duodécimo da prata extraída anualmente nos EUA.

1925 George Eastman, agora com 71 anos, passa a presidência da empresa para William Stuber.

1969 O filme usado no pouso da Apollo 11 na Lua é fabricado pela Kodak.

1975 A Kodak se torna a primeira empresa a fabricar uma câmera digital. Demorou 23 segundos para expor cada imagem.

1976 Mais de 90% do filme fotográfico e mais de 85% das câmeras vendidas nos EUA são fabricados pela Kodak.

1994 Uma das primeiras câmeras digitais de consumo, a QuickTake, é lançada pela Apple. É feito pela Kodak.

2004 À medida que a popularidade das câmeras digitais cresce, a Kodak finalmente abandona a câmera de filme.

2005 A Kodak é a maior varejista de câmeras digitais dos EUA, faturando até US $ 5,7 bilhões em vendas.

2007 Kodak cai para o quarto maior varejista de câmeras digitais. Em 2010, é o sétimo maior.

2009 Após 74 anos de produção, a Kodak deixa de vender filme colorido de 35 mm.

2011 As ações da Kodak caem mais de 80%, em parte porque a empresa luta para cobrir os custos de pensão de seus funcionários.

2012 Kodak pede proteção contra falência.

Fonte : Independent

O que você pode aprender

  • Cuidado com a soberba. Mesmo que você seja o fodão, se não tiver a humildade de estar sempre alerta e buscando aprender, cedo ou tarde a sua vaca se dirigirá ao brejo mais próximo.
  • A zona de conforto é um dos lugares mais perigosos para o ser humano. Tira o foco, a concentração e nos deixa descuidados, preguiçosos e, muitas vezes, prepotentes.
  • Não jogue suas ideias fora. Tudo o que você cria, mesmo que na hora não pareça uma boa ideia, deve ser guardado e, em algum momento, ser revisitado.
  • Se as pessoas que decidem não estiverem preparadas para lidar com o novo, a criatividade é perda de tempo.
  • Em time que está ganhando se mexe sim! Não importa o seu tamanho, não importa sua história, não importa sua marca, se você não estiver sempre em busca do novo, do diferente, do subversivo, os seus dias estarão contados
  • Só pare de investir no futuro se você já estiver velho e não estiver nem aí com o que acontecer depois que você bater as botas.

 

Mostre Mais

Henrique Szklo

Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação, mas hoje já está curado. É Filósofo da Criatividade, professor, palestrante e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria – NeuroCriatividade Subversiva – e seu próprio método – Dezpertamento Criativo. É colaborador no site Proxxima (M&M), no Blog Café Brasil e coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palmeirense.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 + 16 =

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Fechar

Bloqueador de Anúncios Detectado

Considere dar uma força pra gente desabilitando seu bloqueador de anúncios