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Praias de nudismo e sua contribuição para a humanidade

Naturismo é muito mais do que ficar sem roupa

Eu e a Lena nos preparando para visitar a Praia de Galhetas

Galheta é a única praia de Florianópolis reservada especialmente para o naturismo, o nome politicamente correto do que os leigos chamam de nudismo. Pra chegar lá, você precisa pegar uma trilha não muito difícil de 300 metros a partir da Praia Mole. Dá pra ir também pela Barra da Lagoa, mas o caminho é mais longo e difícil. Lá se pratica o naturismo desde os anos 70, mas em 1997 se tornou legal por uma lei municipal. Atenção, tímidos: o nudismo na Praia da Galheta não é obrigatório.

Era uma vez em Ibiza…

Quando o assunto é praia de nudismo, lembro de um amigo meu. Era 1987 quando ele estava mochilando pela Europa e acabou aterrisando em Ibiza, ilha da costa Espanhola, famosa pelas baladas e pelas praias liberais.

Chegou lá com outros dois amigos e decidiram que a primeira coisa que fariam era ir na praia. Na cabeça do meu amigo, ele seria apenas um observador. Jamais ficaria pelado na frente de muita gente.

Segundo ele, era uma praia comum, e a área reservada ao naturismo ficava na extrema esquerda. Eles puseram o pé na areia e lá todo mundo estava vestido. Conforme foram caminhando, as peças de roupa iam escasseando, escasseando até que finalmente chegaram ao lugar que tanto sonhavam. E a frequência neste trajeto era bem interessante, disse meu amigo. Famílias peladas, senhores e senhoras de idade pelados, barrigudos, peitos caídos, pintos pequenos, tinha de tudo.

Sem sacanagem

Não demorou 5 minutos para meu amigo descumprir com sua decisão e tirou a sunga. Curioso. Diz ele que pareceu que ele fazia isso desde sempre. Teve uma sensação muito agradável e curiosamente familiar. Não sentiu vergonha nem nenhum tipo de incômodo. Segundo ele me afirmou, uma experiência realmente inesquecível.

Alguns comentários feitos pelo meu amigo:

  • Diferente do que se pensa, não se sente tesão numa praia de nudismo, apenas uma energia diferente, uma eletricidade, uma sensação de liberdade estranha e efervescente.
  • O único lugar onde era obrigatório o uso de trajes era um pequeno boteco tocando música brasileira. Pequeno e lotado, não seria mesmo saudável as pessoas ficarem espremidas como vieram ao mundo.
  • A praia mesmo era uma merda. Pedra pra caramba. Pra entrar na água, uma pequena rampa de madeira. E muito cuidado ao mergulhar porque as pedras eram bem afiadas.
  • Neste tipo de lugar, não se pode fotografar ou filmar, mas a gente sempre dá um jeitinho, principalmente os brasileiros, como meu amigo.

O que você pode aprender

  • Segundo esse meu amigo, frequentar uma praia de nudismo faz muito bem para a autoestima. Em primeiro lugar, você observa as outras pessoas e se dá conta de que não está tão mal assim. Sempre tem alguém mais velho, mais gordo, mais careca, menos dotado, mais flácido, o que for. E como está todo mundo lá numa boa, a tendência é que você relaxe e faça as pazes com seu corpo.
  • Numa mesma hora e lugar você experimenta dois comportamentos antagônicos que geralmente são apreciados isoladamente: exibicionismo e voyerismo. Você está se expondo como todo mundo e está observando aos outros, como todo mundo. Isso nos coloca numa situação psicológica de conforto por estarmos todo no mesmo barco, expostos, fragilizados, e literalmente desnudados, criando uma espécie de  empatia coletiva. Somos todos iguais, realmente. Daí o excelente serviço à nossa autoestima. Meu amigo recomenda.
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Henrique Szklo

Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação, mas hoje já está curado. É Filósofo da Criatividade, professor, palestrante e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria – NeuroCriatividade Subversiva – e seu próprio método – Dezpertamento Criativo. É colaborador no site Proxxima (M&M), no Blog Café Brasil e coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palmeirense.

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