Mentes Criativas

Quando Mario Quintana foi despejado de um hotel

A vida do poeta gaúcho e seus percalços

Mario Quintana, um dos grande poetas brasileiros, tinha uma vida curiosa. Nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 1906, viveu grande parte de sua vida em Porto Alegre.

Era conhecido como o poeta das coisas simples. Irônico, profundo e de técnica apurada, foi também jornalista e traduziu mais de cem obras, entre elas “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust, “Mrs Dalloway” de Virginia Woolf e de outros grandes autores, como os franceses Honoré de Balzac, Voltaire ou Guy de Maupassant.

Viveu de forma espartana, tendo inclusive enfrentado problemas financeiros. Morreu em 1994, em Porto Alegre. Este singelo poema trata de um fato que ficou muito marcado na vida do poeta.

A vida de grandes artistas
Não se faz só de conquistas
Não existe um eterno nirvana
E aqui puxando pela memória
Vou contar uma triste história
Que aconteceu com o Mario Quintana

Foi solitário a vida inteira
Não teve filhos ou companheira
Apenas lápis e papéis
Simples como sua poesia
Nunca teve moradia
Se aninhava em hotéis

Gaúcho em seu alegre porto
Gozava até de um certo conforto
Em seus modos espartanos
Nem muito simples, nem muito chic
Aquele hotel, o Majestic
Onde viveu por 12 anos

Trabalhava em um jornal
Que das pernas se via mal
Foram meses sem ordenado
Vivendo em um mundo cruel
Sem dinheiro pro aluguel
No final foi despejado

Paulo Roberto Falcão
Futebolista de bom coração
Era dono de um hotel
Quiz fazer a coisa certa
Ofereceu um quarto ao poeta
Sem cobrar o aluguel

Uma amiga foi dar-lhe um abraço
E achou que era pequeno o espaço
Mas na sabedoria da velhice
E seu senso de observação agudo
Enxergava poesia em tudo
“Eu moro em mim mesmo”, ele disse

A amiga não ficou conformada
E encontrou uma nova morada
Um apart-hotel lá no centrinho
Foi bom pra ele, ninguém duvida
Morou lá o resto da vida
Até virar um passarinho

A ironia novamente deu show
Veja o Majestic que o despejou
Naquela atitude pra lá de leviana
Um hotel não é mais não
Agora tem outra função
Casa de Cultura Mario Quintana

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Henrique Szklo

Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação, mas hoje já está curado. É Filósofo da Criatividade, professor, palestrante e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria – NeuroCriatividade Subversiva – e seu próprio método – Dezpertamento Criativo. É colaborador no site Proxxima (M&M), no Blog Café Brasil e coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palmeirense.

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