Mentes Criativas

Chaplin precisou de 3 meses para filmar apenas uma cena

Até os gênios precisam suar muito para chegar à excelência

Foram 342 takes e aproximadamente 3 meses para preencher um pouco mais de três minutos do filme. Pra muitos pode parecer demais, um exagero, uma bobagem. Mas foi essa obsessão de Chaplin, associada a seu talento, que o elevaram à condição de gênio. Até um cego pode ver isso.

 

Charles Chaplin foi o gênio da comédia, mas muita gente não sabe que também foi o gênio da direção e da narrativa cinematográfica. Seus filmes mudos eram histórias tão bem contadas que quase não notamos a falta de diálogos.

Quando o cinema passou a ser falado, Chaplin ainda ficou reticente com relação à nova tecnologia. No filme Luzes da Cidade (City Lights, 1931), apesar da enorme pressão da indústria hollywoodiana, ele continuou usando letreiros para os poucos diálogos, deixando o som apenas na trilha. E ele estava certo. O filme foi um tremendo sucesso, tanto de crítica quanto de público. É considerado um dos 10 melhores filmes de todos os tempos por diretores como Federico Fellini, Orson Welles, Woody Allen e Stanley Kubrick. Nada mal.

São muitos os fatos curiosos com relação à produção desta obra-prima, mas agora vamos nos concentrar na clássica cena do primeiro encontro do vagabundo com a florista cega. Voltemos ao tema inicial deste artigo: o som. Chaplin precisava deixar claro para o público que a florista pensou que o vagabundo fosse um milionário. Mas como fazer isso sem diálogos?

Este processo foi tão desgastante que chegou a ficar doente e não apareceu no estúdio por um mês.

Desde o seu tempo de curtas-metragens, Chaplin tinha o hábito de não criar roteiros antes de filmar. Quando ele achava que um ambiente, elemento ou situação tivesse potencial para a graça, ele chegava no estúdio e ficava filmando na base do improviso até achar que a cena “funcionava” segundo seu elevadíssimo padrão de julgamento. Ele insistia bastante, mas quando sentia que uma cena não estava funcionando, abria mão dela e partia para a próxima.

No caso de Luzes da Cidade, havia sim um roteiro, mas algumas cenas não estavam bem definidas antes de começar as filmagens. E a cena da florista cega era uma delas. Chaplin começou a filmar, utilizando mais uma vez de sua incrível capacidade de improviso. Mas nada funcionava. Naquela época, nem atores nem equipe trabalhavam por cachê. Eram todos empregados de Chaplin. Por isso todos passavam o dia no estúdio a despeito de ter trabalho ou não.

O tempo estava passando e Chaplin não conseguia resolver a cena. Começou a ficar perturbado (ou mais perturbado do que já era), afinal, além de estar preocupado com sua capacidade criativa, o estúdio era dele e o dinheiro da produção também. Não poderia ficar eternamente filmando até que uma ideia surgisse. E não apenas uma ideia, mas uma ideia perfeita. Este processo foi tão desgastante que chegou a ficar doente e não apareceu no estúdio por um mês. Todo mundo estava lá desde cedo, prontos para filmar, mas o chefe vagabundo não aparecia. Até que um dia ele voltou e começou de novo com suas tentativas de resolver a cena. Foi quando finalmente a solução apareceu.

Se você não lembra ou não viu, assista o vídeo na abertura deste artigo.

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Coord. Pedagógica

Equipe multidisciplinar composta por filósofos, psicólogos, sociólogos, antropólogos, semiólogos, zoólogos, paleontólogos, teólogos, epistemólogos, tarólogos, bacteriólogos, monólogos, ufólogos, podólogos e egiptólogos, responsáveis por definir os caminhos pedagógicos da Escola Nômade para Mentes Criativas,

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