Ensinamentos de São Magaiver

Todo criativo é um chato em potencial

Não pense que sendo criativo você vai ser a pessoa mais popular do mundo

Muito se fala da criatividade como uma ferramenta indispensável na vida de qualquer pessoa. Corretíssimo. Se é assim, então por que a maioria das pessoas não se utiliza essa extraordinária capacidade? Não precisa comprar, vem de fábrica e é grátis. Não tem contra-indicações e lhe oferece flagrantes vantagens competitivas na maioria das situações. Por que? Por que? Por que?

Por outro lado, há quem pense que basta ligar uma chavinha e criar, certo? Mais ou menos. O exercício do pensamento criativo exige sacrifícios que a maioria das pessoas prefere não enfrentar, nem de brincadeira. Ser criativo, propor novas ideias, enfrentar o estabelecido e a opinião cristalizada dos outros é muito, mas muito mais desconfortável do que pode parecer.

Como diz o Henrique Szklo, “Criar é a coisa mais fácil que existe. O problema é o todo resto”. E o que ele quer dizer com “resto”? Bem, a capacidade específica de pensar coisas diferentes e “malucas” é tão simples que é praticamente uma brincadeira de criança. Mas essa é só uma ínfima parte do processo como um todo. Além da simples concepção de uma ideia, existe um extenso e extremamente detalhado caminho a trilhar, dividido basicamente entre o extrato técnico e o extrato emocional. E, obviamente, é no emocional que a coisa pega. Qualquer questão técnica pode ser aprendida e controlada. Já a emocional não.

Quem tem ideias tem medo

Basicamente, estamos falando do medo: de sermos julgados – pelos outros e por nós mesmos – , de sermos taxados de idiotas, ignorantes, lunáticos, alienados. Medo de errar, de ter prejuízo, enfim, de falhar. E isso para o nosso sistema emocional é de uma importância tão grande que a melhor solução para a maior parte da população é não arriscar, não sair dos trilhos para não provocar a fúria da Opinião dos Outros.

Se você é refém dessa prisão psicológica e não sente vontade de se libertar, não precisa seguir lendo, pois será uma perda de tempo e você pode muito provavelmente se aborrecer.

Já você que está interessado – e motivado – em enfrentar o monstro para encontrar o reino da criatividade, aqui vai minha sugestão, do fundo do meu coração.

Subversivo, graças-a-deus

Funcionamos o tempo todo no piloto automático. As coisas vão acontecendo e nós vamos reagindo conforme nossa programação mental. é por isso que quando você se compromete a adotar uma atitude subversiva perante a vida, passa a conhecer cenários que até então ignorava. O pensamento criativo exige uma boa dose de subversão. E subversão é liberdade.

A liberdade de ser aprisionado

Adianto que não é muito fácil em princípio. A liberdade (inclusive a de pensar) tem um preço alto. Como tudo na vida, você ganha de um lado e perde do outro. A questão, portanto, é decidir o que você prefere ganhar e o que prefere perder. Como a imensa maioria do mundo não é nem um pouco livre (sabendo ou não, conscientemente ou não), saiba que você terá de enfrentar a dura realidade que é lidar com a vida sem ter quase ninguém para se espelhar e, principalmente, se apoiar. Fora o cruel e hostil julgamento dos guardiões do senso comum.

Continua ou desiste?

Resolveu continuar? então vamos lá. Comece prestando atenção em tudo e avalie se as suas reações, seus pensamentos, suas atitudes são ideais para você, ou se tudo não passa de uma reprodução pura e simples dos padrões de seus grupos sociais. Para ser livre é necessário conhecer pelo menos uma parcela de sua verdadeira essência. E aprender a lidar com ela. Isso porque às vezes você descobre que algo em você é contrário ao que se estabeleceu ser o “certo”. O processo de aceitação de quem você é de verdade é demorado mas vale muito a pena. Eu garanto.

Questione e pense com a própria cabeça

A pessoa livre não tem compromisso com muitos padrões. Sendo assim, sente-se à vontade para questioná-los quando achar que eles são de alguma forma deletérios. Quer saber se são adequados ao momento e às circunstâncias ou precisam ser substituídos. E se tem uma coisa que perturba, incomoda e às vezes até ofende os outros é alguém que está sempre questionando o estabelecido.

A maioria da humanidade não quer sair da zona de conforto nem por decreto. Não pensa com a própria cabeça porque é mais fácil e confortável comprar o pacote fechado, porque já é testado e aprovado. Daí as famosas frases, “Em time que está ganhando não se mexe”, “Faz tempo que fazemos assim e sempre deu certo”, “Não inventa, vai no garantido”, e tantas outras estultices adotadas com prazer pela cultura popular.

O criativo é, antes de tudo, um chato

E o que faz um criativo raiz? Não para de questionar, de fazer perguntas, “por que tem que ser assim?” “por que não pode ser de outro jeito?”, “vamos pensar numa opção melhor”, e outras pentelhações diversas.

Não existe criatividade sem questionamento. Como disse anteriormente, o processo criativo cobra um preço. Portanto, se eu estou satisfeito com a situação atual, não há porque botar esse meu conforto em risco. Mas mesmo querendo continuar em sua cela de ouro, saiba que se você tiver sorte (ou azar depende do caso) vai ter sempre um chato no seus calcanhares perguntando insistentemente por que as coisas não poderiam ser diferentes.

Questionar também faz bem para a vida

É uma escolha pessoal, de foro íntimo. Então, se eu fosse você refletia sobre o que acabou de ler. Ou seja, questione tanto o que você acredita quanto a minha opinião. Se a reflexão for honesta, você vai sair ganhando de qualquer jeito: concordando comigo ou mantendo suas crenças. O simples fato de questionar já exercita seu cérebro e oxigena suas ideias. Do contrário, pode continuar com sua vidinha besta que ninguém vai se importar.

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São Magaiver

Santo protetor da Criatividade e da capacidade de nos adaptarmos à novas situações de maneiras inusitadas. Ele é o mestre das soluções de problemas, um verdadeiro modelo de comportamento no que diz respeito à utilização do que se tem a mão para resolver problemas dos mais diferentes tipos.

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