Almanaque CriativoFloripa

Receita: como fazer argamassa usando uma baleia

Muitas construções em Floripa foram feitos com óleo de baleia

Contra a caça de baleias, preferimos viver de rendas.

Estivemos em duas praias famosas ao sul de Floripa que guardam um passado sangrento, pelo menos até 1960: Matadeiro e Armação. A primeira recebeu este nome por ser o lugar onde as Baleias Francas eram abatidas e a segunda onde eram colocadas em armações de madeira para serem carneadas em busca de seu valioso óleo.

As grossas camas de gordura das baleias, imensos toicinhos de até meio metro de espessura, eram fervidas para a extração do óleo, que era utilizado até o final do século XIX principalmente como combustível para iluminação de rua, mas também como lubrificação de máquinas, fabricação de velas, sabão, tintas, vernizes e breu para calafetagem de navios. Praticamente todo o resto da baleia era dispensado.

Construindo edificações com óleo de baleia

Mas outra curiosa utilidade é muito comentada pelos moradores da ilha: a utilização do óleo de baleia na produção de uma argamassa impermeável e resistente, sendo que várias construções antigas são apontadas como “feitas com óleo de baleia”.

Porém, especialistas afirmam que o óleo da baleia não possui propriedades apropriadas para formar uma argamassa. Ao contrário. O óleo não permite que a massa seque. O que se comprovou foram suas propriedades hidrofugantes, ou seja, o óleo de baleia é um repelente de água, uma barreira à penetração de humidade.

De onde veio a expressão “feita com óleo de baleia”?

A versão mais aceita por especialistas é que o óleo da baleia teve, de fato, participação na construção ou restauração de algumas construções históricas no Brasil, mas apenas como impermeabilizante. A expressão deve ter surgido provavelmente porque as obras eram financiadas com o dinheiro dos impostos que a comercialização do produto gerava para os cofres públicos.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG), graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP e pós-graduado em Neuropsicologia pela FAMEESP, exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é pesquisador da criatividade e do comportamento humano utilizando uma abordagem neuropsicológica do assunto. Além disso é escritor, professor, designer gráfico, palestrante e palpiteiro digital. É professor do MBI da UFSCar e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade), é palmeirense e não-negacionista.

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