Almanaque Criativo

Raiva: a ferramenta definitiva para viralizar seu conteúdo

Ninguém está interessado na felicidade dos outros

Duas pesquisas, uma realizada na China e outra nos Estados Unidos, tentaram estabelecer a conexão entre sentimentos e a velocidade em que as mensagens se espalham pela internet. É preciso se levar em conta, entretanto, que o ser humano, a despeito de ter comportamentos similares em vários aspectos, sofre diferentes influências culturais. Portanto, não se pode afirmar que o comportamento detectado nas duas pesquisas se repita no resto do mundo. De qualquer maneira, é uma boa referência do impacto que diferentes emoções podem causar nas pessoas conectadas na internet.

Chineses endiabrados

Pesquisadores da Universidade Beihang, na China, avaliaram várias emoções on-line rastreando emoticons incorporados em milhões de mensagens postadas no Sina Weibo, uma plataforma emulada do Twitter, um dos únicos locais onde os chineses podem dar um chapéu na censura do governo em relação à mídia.  A conclusão foi de que a alegria se move mais rápido que a tristeza ou o desgosto, mas perde de lavada para a raiva.

A velha e boa raiva como uma eficiente ferramenta de marketing

Em muitos casos, essas explosões criaram uma reação em cadeia, com usuários incitando outros usuários em um círculo cada vez mais elevado de hostilidade e selvageria, até parecer que a plataforma deixasse de ser uma cópia do Twitter para se transformar em uma filial do inferno.

Estadunidenses ensandecidos

Jonah Berger, professor de marketing da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, chegou a uma conclusão parecida. “A raiva é uma emoção de alta excitação, que leva as pessoas a agir”. Berger e um colega analisaram 7.000 artigos do New York Times publicados durante um período de três meses. A tristeza foi uma emoção “desativadora”. Ao contrário da raiva, as pessoas tendem a se desligar e desistir – e é por isso que os sentimentos de melancolia não viralizam.

Diferente dos chineses, uma emoção superou a raiva no estudo de Berger: a admiração em relação à grande beleza ou conhecimento, como, por exemplo, uma reportagem de uma importante descoberta na luta contra o câncer. “A admiração aumenta nosso desejo de conexão emocional e nos leva a compartilhar”, diz Berger.

Fonte
Smithsonian Magazine
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Lena Feil

Gaúcha de nascimento e cidadã do mundo por opção, é formada em Desenho Industrial e Psicologia, é feminista e pensadora em período integral. Usa o cérebro para entender o cérebro. Estudiosa do comportamento e da criatividade, entusiasta da vida, viciada em novidades, em filosofia, no ser humano e em coisa mundanas também. É absolutamente fascinada por crianças, adora café, ama viajar, é geralmente divertida, e – às vezes – esnobe. Hoje, atua com Coolhunter da Escola Nômade para Mentes Criativas, sempre em busca do que existe de mais subversivo, inteligente e relevante em todas as partes do mundo.

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