Almanaque Criativo

Morrer de rir não tem graça nenhuma

Por isso cuidado com as comédias que você assiste. Podem ser fatais.

Não é piada. Tem gente que realmente acredita que é possível morrer de rir. Não no sentido figurado e sim literalmente. Partem do princípio de que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Então, se rir é o melhor remédio, gargalhar exageradamente pode levar a pessoa ao túmulo. Mesmo assim, os casos conhecidos são poucos,

Alguns médicos até deram um nome pra isso: Hilaridade Fatal, pois acreditam que esses casos de morte do riso ocorrem quando a vítima ri tanto que desencadeia um ataque cardíaco ou uma asfixia. É bem provável, mas então não foi o riso que os matou e sim uma pré-condição que pode ter desencadeado o óbito.

Histórias para morrer de rir

Zeuxis morreu pelo próprio pincel

A primeira morte pelo riso registrada da história vem do século V aC, quando o pintor grego Zeuxis recebeu a encomenda de uma mulher para fazer uma pintura da deusa Afrodite com a condição de que a usasse a como modelo. O problema é que a mulher era mais ou menos um cão chupando manga. Ao ver o resultado da própria obra, Zeuxis se dobrou de rir e morreu. Não deve ser verdade, mas que é engraçado, não podemos negar.

O filósofo grego Crisipos não tinha a cara de quem gosta de rir

Já o grego Crisipo, filósofo do século III a.C. começou a rir ao ver um burro comendo seus figos. Supõe-se que ele tenha pedido ao seu servo que então desse ao burro um pouco de vinho para lavar os figos. Aí desembestou a rir até empacotar. Essa é boa. Morrer de rir tudo bem, mas com a própria piada… aí a gente se pergunta quem era o burro. No entanto, algumas teorias afirmam que Crisipo na verdade morreu de uma convulsão ou intoxicação por álcool. Graças a Deus, o prestígio do filósofo foi salvo.

Thomas Urquhart morreu por tirar sarro de um rei

Em outra história meio esquisita, muitos dizem que o escritor e matemático escocês Thomas Urquhart foi vítima de risos após ouvir que Charles II havia assumido o trono da Inglaterra, Irlanda e Escócia em 1660. Não achei graça nenhuma.

O Rei Martin I de Aragão já teria sofrido indigestão, quando, ao ouvir uma piada hilariante de seu bobo da corte, riu por várias horas antes de morrer em 1410. No entanto, essa história é amplamente contestada. Estranho é se não fosse. Rir por várias horas? Nada é tão engraçado.

Em 1975, um inglês chamado Alex Mitchell supostamente também morreu de rir. Ele possuía uma condição cardíaca chamada síndrome de QT longo. Aparentemente, esta doença combinada com os efeitos de uma gargalhada de 25 minutos, é que causou sua morte. Juro que estou curioso para conhecer essas piadas que fazem as pessoas rirem por tanto tempo.

Rei Martim I de Aragão morreu com uma piada do bobo da corte. Quem foi o bobo?

Em 1989, dizem que um dinamarquês chamado Ole Bentzen morreu rindo enquanto assistia ao filme Um Peixe Chamado Wanda, que, convenhamos, não é tão engraçado assim. Dizem que seus batimentos cardíacos chegaram até 500 por minuto. Então se ele morreu de rir vendo este filme, provavelmente mereceu morrer, tamanha era sua estupidez. Pelo menos se a família dele tivesse processado a produtora, alguma coisa de bom teria saído disso. Mas não é bem assim. Dizem que esta história foi inventada tablóide sensacionalista inglês Weekly World News.

A culpa é desse filme. Vamos processar!

Damnoen Saen-um, um vendedor de sorvetes tailandês, morreu rindo em 2003 enquanto dormia. Sua esposa diz que fez de tudo, mas não conseguiu acordar o marido.Foram dois minutos fatais. Acredita-se que sua morte tenha sido causada por asfixia. O problema é saber quem causou a asfixia: o riso ou a mulher. Afinal, a história é muito mal contada. Rir enquanto dorme? Conta outra.

Rir é uma droga para ser usada sem moderação

O humor é um poderoso agente de interação social. É um código que gera uma comunicação eficaz entre as pessoas e cria um senso de comunidade promovendo alegria compartilhada.

Já está provado também pela ciência que o riso é, de fato, um ótimo remédio. Uma boa piada ativa os centros de recompensa do cérebro, liberando dopamina e estimulando a atividade de opiáceos. Segundo o neurocientista cognitivo Scott Weems, apreciar uma piada produz a mesma resposta física que solucionar um problema: estamos recebendo uma recompensa por entender uma coisa.

Então, para a alegria dos bons comediantes, ninguém de fato morre de rir. Já para os maus, é uma pena, porque esta seria uma excelente desculpa para explicar porque eles não são nada engraçados. Poderiam até dizer que abrem mão da capacidade de fazer rir para, sacrificando a própria carreira, salvar a vida das pessoas de bem.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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