Almanaque Criativo

Cientistas descobrem se ela está rindo ou não. E dai?

Quanto você gastaria de seu dinheiro para saber a resposta?



Monalisa, ou Lisa Gherardini, era a esposa de um mercador de tecidos florentino que posou para Leonardo da Vinci e se transformou numa das obras de arte mais famosas e valiosas do mundo.

Aí, cientistas cismaram que deveriam descobrir se a moça estaria rindo ou não. Eles não tinham nada mais importante para pesquisar? Que diferença faz? O que vai mudar na vida de qualquer pessoa descobrir o real estado de espírito da Monalisa? “Ufa, ainda bem que ela está rindo, agora podemos dormir sossegados”. Francamente…

Pesquisadores alemães do Institute for Frontier Areas of Psychology and Mental Health em Freiburg, em artigo escrito na revista Scientific Reports, atendendo nossas preces, descobriram a resposta: apesar de muitos críticos de arte considerarem sua expressão uma carranca, Monalisa está de fato sorrindo. Graças a Deus!

Não quero parecer implicante demais mas esta pesquisa já começa com um problema: para os Alemães não são exatamente especialistas em sorriso. Então, sua capacidade de julgamento e seus critérios podem ser um pouco distorcidos. Mas esta é minha opinião.

Não satisfeitos em fazer um, realizaram dois experimentos

Segundo a Smithsonian Magazine, primeiro eles mostraram para os participantes da pesquisa 9 versões diferentes da pintura, a verdadeira mais 8 com pequenas diferenças: de expressões mais felizes até as mais tristes. Cada versão foi apresentada 30 vezes e as pessoas avaliavam se a Monalisa estava sorrindo ou não. E a versão original recebeu a nota máxima: 100% dos participantes classificaram a versão original “feliz / sorridente”.

Jürgen Kornmeier, líder do estudo, se mostrou surpreso com o resultado. “Isso coloca em questão a opinião comum entre os historiadores de arte.” Agora sim, o mundo nunca mais será o mesmo.

A segunda experiência repetiu a mesma metodologia, mas desta vez só a verdadeira Monalisa estava presumidamente sorrindo. Todas as outras versões foram feitas demonstrando graus diferentes de tristeza. Este estudo descobriu que, na presença das imagens mais tristes, os participantes perceberam que Monalisa era mais melancólica.

“Os dados mostram que nossa percepção, por exemplo, de que alguém está triste ou feliz, não é absoluta, mas se adapta ao ambiente com velocidade surpreendente”, afirmou Kornmeier.

Perguntas não respondidas

Minha última pergunta é: quem pagou por esta pesquisa? Será que foram os contribuites alemães? Será que eles ficaram felizes? Não seria bom fazer uma pesquisa pra saber? Uma pesquisa paga por eles mesmos, claro.

Realmente, quem está decididamente sorrindo sou eu, por ter terminado este texto, podendo dedicar meu tempo a assuntos realmente relevantes. Não vou mandar minha foto para comprovar. Prefiro que meu suposto sorriso seja envolto de mistério por séculos a fio.

 

Fonte
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Lena Feil

Gaúcha de nascimento e cidadã do mundo por opção, é formada em Desenho Industrial e Psicologia, é feminista e pensadora em período integral. Usa o cérebro para entender o cérebro. Estudiosa do comportamento e da criatividade, entusiasta da vida, viciada em novidades, em filosofia, no ser humano e em coisa mundanas também. É absolutamente fascinada por crianças, adora café, ama viajar, é geralmente divertida, e – às vezes – esnobe. Hoje, atua com Coolhunter da Escola Nômade para Mentes Criativas, sempre em busca do que existe de mais subversivo, inteligente e relevante em todas as partes do mundo.

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