Almanaque Criativo

A origem negra de uma máscara do Carnaval de Veneza

Crédito da foto: Máscara de Médico da Peste Schnabel de Tom Banwell

O Carnaval de Veneza começou no século XVIII como uma série de festividades onde pessoas de todos os status sociais se reuniam usando máscaras e fantasias para não serem reconhecidas, aproveitando os prazeres da vida noturna, sem culpa. Cada uma dessas máscaras e fantasias têm sua própria história. E a Máscara dos Médicos da Peste talvez seja a mais interessante de todas.

Máscara do Carnaval de Veneza

A peste bubônica, também conhecida como a Peste Negra, foi uma das doenças mais letais já enfrentadas pela raça humana. Durante a segunda série de epidemias de peste na Europa, que durou desde o início do século XIV até o início do século XVIII, a Peste matou mais de 70 milhões de pessoas.

Apesar de ser transmitida por picadas de pulgas, mordidas de ratos, contato com alimentos contaminados, fluidos, tecidos e gotículas infecciosas no ar, os Médicos da Peste, como eram chamados, acreditavam na Teoria do Miasma, que defendia a ideia de que a doença era disseminada por maus cheiros que emanavam do lixo, carne em decomposição e várias outras substâncias que eram consideradas impuras, uma forma nociva de “ar ruim”.

O traço mais marcante do uniforme de médico da peste era a máscara parecida com uma ave de bico, projetada para impedir que o usuário inalasse o ar fedorento que se pensava disseminar a doença. Por isso, o bico da máscara era comprido para poder ser preenchido com uma mistura de flores secas, ervas medicinais e especiarias perfumadas.

Paul Fürst, engravng, c. 1721, of a plague doctor of Marseilles

A máscara era parte do “Traje dos Médicos da Peste”, um tipo de uniforme criado supostamente pelo médico francês Charles de Lorne em 1619. Ele projetou a máscara de bico para ser usada junto a um pesado sobretudo como uma forma de proteção da cabeça aos pés, modelado em uma armadura de soldado, protegendo o usuário de qualquer contato físico com a população infectada.

Embora o Traje dos Médicos da Peste fossem elaborados e projetados para impedir que os usuários contraíssem a doença, os desavisados doutores frequentemente também sucumbiam à praga.

A Teoria do Miasma permaneceu como a principal explicação para muitas infecções, incluindo cólera e malária, até a segunda metade do século 19.

Atualmente, até 3.000 pessoas contraem a peste todos os anos, mas a doença é efetivamente tratada com antibióticos. Sem máscaras.

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Lena Feil

Gaúcha de nascimento e cidadã do mundo por opção, é formada em Desenho Industrial e Psicologia, é feminista e pensadora em período integral. Usa o cérebro para entender o cérebro. Estudiosa do comportamento e da criatividade, entusiasta da vida, viciada em novidades, em filosofia, no ser humano e em coisa mundanas também. É absolutamente fascinada por crianças, adora café, ama viajar, é geralmente divertida, e – às vezes – esnobe. Hoje, atua com Coolhunter da Escola Nômade para Mentes Criativas, sempre em busca do que existe de mais subversivo, inteligente e relevante em todas as partes do mundo.

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