A História das Coisas

Uma leitura relaxante sobre a história do vibrador

Evitei o termo vibrante por achar de muito mal gosto

O orgasmo feminino nem sempre foi um tabu. A bem da verdade, durante um bom tempo de nossa história foi considerado um bom remédio para doenças psicológicas, na época unificadas com o termo “histeria”. Quando a epidemia de moralidade chegou e transformou o orgasmo em pecado, já era tarde demais. O vibrador já tinha fixado sua reputação na vida das mulheres.

As preliminares do vibrador

O termo “histeria” foi criado há mais ou menos 2.500 anos e vem da palavra grega para útero, histeros. Foi criado como diagnostico relacionado a três sintomas femininos: cansaço, nervosismo e depressão. Hipócrates dizia que a histeria era causada por um “útero errante” e, se considerarmos a ciência rudimentar da época, essa suposição era tão lógica quanto “a terra é plana”.

Aparentemente, o consolo foi a resposta da ciência para o tratamento da histeria. Dizem as más línguas, que existem desde a criação do mundo, que no antigo Egito, Cleópatra encheu uma abóbada de abelhas e usou-a para estimular seu clitóris. É o fim da picada. Coisa de fofoqueiro. No máximo ela usava inocentes consolos, como todas as outras mulheres sérias da época.

Desde os tempos medievais e em toda a Renascença, médicos de aldeia viam a histeria como um sinal de privação sexual e, assim, encorajavam as pacientes casadas a se envolverem em sexo rigoroso para curar seus males. Bons tempos aqueles.

Durante boa parte da história, a busca pelo orgasmo feminino foi muito mais importante do que se pensa. Na era vitoriana, os guias sexuais alegavam que o orgasmo feminino era essencial para a gravidez. Se um homem queria um herdeiro, o orgasmo feminino e as preliminares eram fundamentais. As mulheres da época agradeceram.

Nem toda mulher sente Paroxismo Histérico

Antes de surgir a palavra orgasmo, os vitorianos criaram o termo acima, o que convenhamos, não mudava nada. Podia ser Raio Flamejante, Terremoto Vaginal ou Luiz Roberto porque não importa o nome, contanto que seja múltiplo. Entretanto, essa definição ofereceu legitimidade científica ao gozo, mas logo surgiu alguém para estragar a festa espalhando a crença de que a masturbação era pecaminosa e até prejudicial. O famoso empata-foda.

Crédito: Wikipedia

As histéricas que eram solteiras e castas ou as que não era muito chegadas à relações sexuais rigorosas indicadas pelos bons doutores, ainda sim teriam que buscar atingir o Luiz Roberto de alguma forma para tratar de sua condição clínica.

Durante muito tempo o uso medicinal do orgasmo oferecia um paradigma diferente dos dias de hoje. Não era “relaxa e goza” e sim “goza e relaxa”.

A princípio, parteiras e médicos – predominantemente homens – massageavam manualmente a vulva e a região clitoral para que a mulher chegasse a um Paroxismo Histérico. Parece divertido para os doutores, porém, após um breve tempo, suas mãos e punhos ficavam prejudicados e, em alguns casos, provocando lesões por movimentos repetitivos e tendinite, ou seja, o LER começou bem antes do computador.

A necessidade de um massageador automatizado exigiu uma resposta da ciência e o primeiro de muitos “vibradores” automáticos foi criado. Demonstrou-se desconfortável e nada prático já que era movido a vapor e ocupava uma sala inteira: o terrível “Manipulador”.

A ideia mais conhecida, porém, foi a invenção do primeiro vibrador elétrico do Dr. Joseph Mortimer Granville, em 1880, que deve sua notoriedade a um filme de grande sucesso realizado anos depois.

À venda nas melhores casas do ramo

A ideia de Granville não era tratar histeria mas a dor musculoesquelética nos homens. E curiosas como são as mulheres, alguma deve ter feito uma experiência empírica e descobriu que o aparelho reduzia o tempo para atingir o Raio Flamejante. Sempre alarmistas, muitos médicos ficaram com medo de uma epidemia de histeria, o que logicamente não ocorreu. Em pouco tempo, o vibrador se tornou menor e mais portátil chegando a ser vendido na Sears por módicos 5 dólares com a promessa de ser “a ajuda que toda mulher vai gostar”. Uma nova e bilionária indústria dava seus primeiros e prazerosos passos.

Em 1952, a Associação Médica Americana retirou o termo “histeria” de sua terminologia diagnóstica. Mas nem tudo são flores quando pensamos em orgasmo. Quando ficou explícito que os vibradores tinham uma conotação sexual, eles simplesmente desapareceram das prateleiras, quase tão rapidamente quanto apareceram. De forma precoce, se é que me entende.

Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine descobriu que mais da metade das mulheres pesquisadas já usaram um vibrador – e, como desculpa esfarrapada, alegaram motivos médicos, como antigamente. Não importa a razão para o uso de brinquedos sexuais. O importante é que tenhamos sempre a presença carismática e marcante de Luiz Roberto.

 

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Lena Feil

Gaúcha de nascimento e cidadã do mundo por opção, é formada em Desenho Industrial e Psicologia, é feminista e pensadora em período integral. Usa o cérebro para entender o cérebro. Estudiosa do comportamento e da criatividade, entusiasta da vida, viciada em novidades, em filosofia, no ser humano e em coisa mundanas também. É absolutamente fascinada por crianças, adora café, ama viajar, é geralmente divertida, e – às vezes – esnobe. Hoje, atua com Coolhunter da Escola Nômade para Mentes Criativas, sempre em busca do que existe de mais subversivo, inteligente e relevante em todas as partes do mundo.

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