A História das Coisas

O basquete foi criado graças a um pato

Um jogo praticado na infância por James Naismith foi o grande indutor da invenção



James Naismith, orgulhoso inventor do basquete

James Naismith, instrutor de educação física nascido no Canadá, mudou-se para Springfield, Massachusetts em 1890 para trabalhar no Y.M.C.A. International Training School.

Luther Halsey Gulick, especialista americano em educação física e diretor da escola, solicitou a Naismith que ele criasse um jogo para ser praticado indoor em função do rigoroso inverno que atingia a região da Nova Inglaterra. Ele teve apenas 14 dias para cumprir com a missão, pois os alunos da escola estavam ficando entediados e precisavam de algum tipo de “distração atlética”.

A solução deste problema tornou-se um dos esportes mais populares do mundo e um negócio multibilionário: o basquete.

Quebrando a cabeça para desenvolver um jogo que funcionasse em pisos de madeira em um espaço fechado, Naismith chegou a estudar vários esportes como futebol americano, futebol e lacrosse. Mas o grande e definitivo indutor¹ veio de um lugar inesperado.

Atordoado com a necessidade premente, Naismith lembrou-se de um jogo que praticava quando criança chamado “Duck on the Rock”, em que os jogadores tentavam derrubar uma pedra de tamanho médio (o pato) que ficava sobre uma rocha, atirando pedras pequenas nela.

Duck in the Rock, a principal inspiração para a invenção do basquete

Na época em que ele jogava, descobriu que era muito melhor jogar para cima, fazendo um arco para acertar o “pato” do que arremessar a pedra para frente. “Com esse jogo em mente, achei que se o objetivo fosse horizontal em vez de vertical, os jogadores seriam obrigados a lançar a bola em um arco, e, portanto, a força não teria nenhum valor. Um objetivo horizontal, então, era o que eu estava procurando”, disse ele.

A primeira cesta, pregada na parede do ginásio

Naismith, então, pendurou duas cestas de pêssego a 3,05 metros de altura (que permanece até hoje), onde os jogadores deveriam acertar a bola para marcar ponto. Daí o nome basketball.

Inicialmente, ele escreveu 13 regras, mas as primeiras regras formais foram criadas em 1892. No início, os jogadores batiam uma bola de futebol para cima e para baixo em uma quadra de dimensões não especificadas, e os pontos eram computados quando a bola entrava em uma das cestas de pêssego.

Num primeiro momento, a torcida era para que ninguém acertasse a cesta, já que era preciso usar uma escada para pegar a bola. A solução encontrada foi tirar a parte debaixo da cesta. A bola não caia, mas puderam utilizar uma vara através da abertura para empurra-la para fora. Aros de ferro e uma cesta estilo rede foram introduzidos apenas em 1893.

O novo esporte fazia a alegria da rapaziada

Outra década se passou, no entanto, antes que alguém com mais de dois neurônios descobrisse um jeito de não precisar cutucar a bola com uma vara a cada cesta convertida. Bastou cortar a parte de baixo da rede. Gênio.

Dr. Naismith se tornou médico em 1898 e foi contratado pela Universidade do Kansas, onde manteve um dos programas mais célebres de basquete estudantil e atuou como diretor esportivo e membro do corpo docente da universidade por quase 40 anos. Aposentou-se em 1937 e faleceu em 1939.


1  Indutor  É a semente do pensamento criativo. Quando começamos a criar, as possibilidades são infinitas, O indutor é aquele que diminui o leque para que o cérebro consiga se organizar, afinal o cérebro só consegue pensar em uma coisa por vez. Precisamos de um primeiro passo que desencadeie todo o processo criativo. Um elemento de qualquer natureza que seja capaz de estimular e induzir o cérebro a seguir um caminho específico, colaborando decisivamente para a criação de novas ideias. Veja mais metáforas na Enciclopédia das Mentes Criativas (EMC²).

Mostre Mais

Henrique Szklo

Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação, mas hoje já está curado. É Filósofo da Criatividade, professor, palestrante e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria – NeuroCriatividade Subversiva – e seu próprio método – Dezpertamento Criativo. É colaborador no site Proxxima (M&M), no Blog Café Brasil e coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palmeirense.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Botão Voltar ao topo
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Fechar
Fechar

Bloqueador de Anúncios Detectado

Considere dar uma força pra gente desabilitando seu bloqueador de anúncios