Professores Convidados

Professora do Buffalo State College fala sobre criatividade

Ela dá aula no mais importante Centro Internacional para Estudos em Criatividade

Artigo exclusivo para a Escola Nômade para Mentes Criativas

 

Pense, sinta e use sua criatividade

Por mais de 40 anos, tenho admirado, usado, estudado e ensinado a criatividade – não aquela relacionada as artes ou a música, mas um tipo de pensamento imaginativo que ajuda a desenvolver a arte, a música, a tecnologia, a ciência, a educação, a inovação e praticamente todas as atividades humanas. Aprendi que muitas pessoas não entendem o valor do pensamento criativo, e muitos não acreditam que sejam criativos. Acredito que todas as pessoas são criativas de seu próprio jeito e em seu próprio nível; apenas definem a criatividade de um jeito que elas não se encaixam.

A criatividade é a capacidade de pensar em coisas novas e úteis. Isso inclui coisas importantes como a cura para uma doença, mas também coisas triviais, como um substituto para um tempero que acabou enquanto você estava cozinhando o jantar. Todos nós fazemos isso o tempo todo, apenas não acreditamos que nossas próprias ideias se encaixem nos critérios de criatividade. É aí que o problema começa. Quando não reconhecemos nem compartilhamos nossas ideias promissoras, estamos assumindo que não temos nada a oferecer. Acabamos nos reprimindo quando nos pedem ideias no trabalho, ou em casa, acreditando que alguém mais talentoso terá respostas melhores.

O fato é que mesmo as ideias bobas estimulam o pensamento e nos dão novas maneiras de encontrar uma solução. Não existem ideias ruins; em alguns casos apenas não era o momento certo para elas. Em outros elas são contra nossos princípios. E existem aquelas que irão exigir mais esforço do que estamos dispostos a fazer. A questão é: se não as compartilharmos, elas não se realizarão nem irão estimular aquelas ideias vencedoras cujo momento é agora.

Não existem ideias ruins; em alguns casos apenas não era o momento certo para elas. Em outros elas são contra nossos princípios. E existem aquelas que irão exigir mais esforço do que estamos dispostos a fazer.

Para superar esse dilema, precisamos fazer escolhas conscientes. A primeira escolha é acreditar em nossa capacidade de produzir ideias criativas (novas e úteis). A segunda é compartilhar nossas ideias abertamente, reconhecendo que algumas pessoas não enxergarão seu valor e irão criticá-las. Precisamos nos sentir à vontade com isso, lembrando que o nosso cérebro criativo possui um suprimento infinito de ideias. Podemos obter mais. Algumas serão novas e úteis. Algumas serão mais úteis em outro momento. A terceira escolha é decidir implementar nossas ideias, mesmo que

outros não acreditem nelas. Lembre-se: anos atrás, ninguém acreditava que o homem pudesse voar.

Pensar de forma criativa significa gastar tempo gerando ideias

Pense em novos usos ou melhorias para itens comuns, como uma cadeira ou um copo. Tente escrever 30 ideias de cada vez. Para qualquer pensamento que você precise realizar, pense em muitas opções. Se for o que fazer para o jantar, pense em novos pratos ou novas receitas. Se for como lidar com uma pessoa problemática, pense em maneiras de conhecer suas razões, pense em como fazer com que a pessoa se sinta bem e identifique os gatilhos que a irritam. Se estiver se ajustando a novas circunstâncias no trabalho, escreva todas as razões que apontem que a mudança foi positiva, todas as maneiras de melhorar o trabalho e todos os benefícios para que as pessoas façam o processo funcionar.

Anote todas as ideias em um pequeno caderno, ou num aplicativo de celular, e preencha com os pensamentos atuais sobre tudo para celebrar seu jeito de pensar. Não deixe seus pensamentos negativos eliminarem suas ideias. Ajude os outros a trabalhar com novas ideias. Considere o que você faria em circunstâncias que outras pessoas enfrentam, ou aqueles que você vê na TV, ou nos filmes. Quando você anota suas ideias, adicione pensamentos sobre o que você poderia fazer ou o que não faria. Esta é uma prática de pensamento criativo.

Sentir-se criativo inclui apreciar suas próprias ideias e as das outras pessoas. Considere sua reação às ideias que as crianças têm, e como seu encorajamento pode fazê-las feliz. Faça isso com adultos – e com você mesmo! Diga, ou escreva, o que você gosta sobre as ideias, o que você gostaria de adicionar ou melhoraria sobre elas. Mantenha as ideias positivas. O pensamento negativo não é produtivo, pois resulta em sentimentos feridos e tende a prejudicar o pensamento criativo. Divirta-se produzindo ideias sem qualquer julgamento, sozinho ou em grupo. Seja orgulhoso de sua capacidade de gerar cenários incomuns e interessantes.

Quando suas ideias forem criticadas, escute o que a pessoa vê como errado e use a informação para melhorá-las. Lembre-se, a crítica é sobre a ideia, não sobre você. Considere uma contribuição para o seu trabalho. Agradeça a pessoa, mesmo que não possa usar as sugestões. Esta é uma prática de como sentir a criatividade, honrando tanto suas próprias ideias quanto o que os outros podem oferecer.

Utilizar a criatividade significa práticar do pensamento (gerando ideias alternativas) e o sentimento (levando até ideias loucas em consideração) para qualquer problema, objetivo, necessidade ou situação, e, em seguida, guardar um tempo para avaliar todas elas. A avaliação positiva (ver o positivo em cada ideia) ajuda a medir quais delas atendem as necessidades, resolva o problema, são novas e úteis e estão no momento certo. Passe algum tempo trabalhando com as ideias que você mais

Divirta-se produzindo ideias sem qualquer julgamento, sozinho ou em grupo. Seja orgulhoso de sua capacidade de gerar cenários incomuns e interessantes.

gosta, fazendo combinações ou emprestando partes úteis de ideias que você não escolheu para melhorar as que você gosta. Mesmo depois de escolher uma direção, podem ser feitas melhorias. Isso também é prática de criatividade, explorando suas ideias para o que é novo e útil.

Às vezes, não precisamos de um pensamento criativo. Se uma criança está correndo para a rua, não paramos para pensar em ações alternativas. Mas, para muitas de nossas atividades diárias, fazemos cegamente o que sempre fizemos, não procuramos opções quando pudermos desfrutar de uma abordagem diferente, mais interessante. A maneira de superar essa rotina é pensar, sentir e utilizar criatividade. Assim como aprender a pintar, tocar piano, cantar ou jogar futebol, a criatividade é uma habilidade que melhora com a prática regular. Você é criativo!

 

Tradução: Henrique Szklo

Original text in English

Think, Feel, and Do Creativity

Dr. Jo Yudess

For more than 40 years, I have been appreciating, using, studying, and teaching creativity – not the arts or music, but the kind of imaginative thinking that helps develop art, music, technology, science, education, innovation and virtually everything else in our world. What I have learned is that many people don’t understand the value of creative thinking, and many do not think they are creative. I believe that everyone is creative in their own style and at their own level; they just define creativity in a way that leaves themselves out.

Creativity is the ability to think of things that are new and useful. This includes important things like a cure for a disease and trivial things like a substitute for a missing spice when you are cooking dinner. We all do it regularly, we just don’t always believe our own ideas fit the criteria for creativity. That’s where the problem begins. When we don’t acknowledge and share our promising ideas, we begin to believe we have nothing to offer. We hold back when asked for ideas at work, or at home, thinking someone more skilled will have the answer. The fact is that even silly ideas spur more thinking and give us new ways to consider an answer. There are no bad ideas; there are some ideas whose time hasn’t come, some that are against our principles to implement, and some that require more work than we are willing to do, but if we don’t share them, they don’t happen, and they don’t stimulate exciting ideas whose time is now.

To overcome this dilemma, we need to make conscious choices. The first choice is to believe in our ability to think of creative (new and useful) ideas. The second is to share our ideas openly, recognizing that some people won’t see the value in them and will criticize them. We need to feel comfortable with that, remembering that our creative brain holds an infinite supply of ideas. We can get more. Some will be new and useful. Some will be more useful at another time. The third choice is to decide to implement our ideas even if others don’t believe in doing them.  Remember: years ago, no one believed that man could fly.

Thinking creatively means spending time generating ideas. Write down new uses or improvements for common items like a chair or a cup. Try to write 30 ideas each time. For any thinking you need to do, think of options. If it is what to have for dinner, think of new meals or new recipes.  If it is how to deal with a problem person, think of ways to get to know their issues, consider how to make the person feel good, and identify the triggers that make them angry.  If it is adjusting to new circumstances at work, write all the ways the change is positive, all the ways it can make the job better, and all the benefits for people making it work.  Write down all ideas in a little notebook, or a cell phone app, and fill it with current thoughts on everything to celebrate your thinking.  Don’t let your negative thoughts eliminate ideas.  Help others play with new ideas. Consider what you would do in circumstances others face, or those you see on TV, or in the movies. When you capture your ideas, add thoughts of what else you might do or what you wouldn’t do. This is creativity thinking practice.

Feeling creativity includes appreciating your own and others’ ideas.  Consider your response to ideas children have, and how happy your encouragement makes them feel. Do that for adults – and for yourself!  Say, or write, what you like about the ideas, what you would add to them, or improve about them. Keep it positive. Negative thinking is not productive as it results in bruised feelings, and tends to stop creative thinking. Enjoy the process of producing ideas without any judgment whether you are by yourself or in a group. Be proud of your ability to produce unusual and interesting possibilities. When your ideas are criticized, listen for what the person sees as wrong with the idea, and use the information to improve what you have.  Remember, the criticism is about the idea, not about you. Consider it a contribution to your work.  Thank the person, even if you can’t use the suggestions. This is creativity feeling practice, honoring both your own ideas and what others might offer.

Doing creativity involves practicing thinking (generating alternative ideas) and feeling (accepting even crazy ideas for consideration) for any problem, objective, need, or situation, then taking the time to appraise all the ideas.  Positive evaluation (seeing the good in each idea) helps measure which ideas meet the needs, solve the problem, are new and useful, and are at the right moment.  Spend time working with the ideas that you like best, combinations of ideas, or borrowing useful parts of ideas you didn’t choose to improve the ones you do like. Even after you choose a direction, improvements can be made. This, too, is creativity practice by exploring your ideas for what is both new and useful.

Sometimes, we don’t need creative thinking.  If a child is running into the street, we don’t stop to think of alternative actions. But, for many of our daily activities, we blindly do what we’ve always done, not looking for options when we might enjoy a different, more interesting, approach.  The way to overcome that routine is to think, feel, and do creativity.  Just like learning to paint, play the piano, sing, or play football, creativity is a skill that improves with regular practice.  You are creative!

 

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Dra. Jo Yudess

Doutora em Educação e professora assistente adjunta no Centro Internacional de Estudos em Criatividade no Buffalo State College. Foi premiada com a State University of New York Chancellor’s Medal for Excellence in Adjunct Teaching em outubro de 2017. É Editora-gerente das revistas Business Creativity e Creative Economy e do Journal of Genius and Eminence. É proprietária/presidente da United Innovations, uma empresa de consultoria de desenvolvimento de pessoas em liderança, solução de problemas com criatividade e desenvolvimento de habilidades, nos Estados Unidos e no Brasil. Tem ministrado uma série de cursos como membro adjunto em outras escolas na área de Bufallo. É membro da Creative Education Foundation da qual também é membro adjunto do corpo docente, onde recebeu o Distinguished Leader Award. É Bacharel em Ensino Secundário, Química e Matemática; e Mestre em Estudos Criativos e Administração Pessoal, ambos da Buffalo State. É Doutora de Educação em Liderança Executiva na John Fisher College em Rochester, NY.

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