Ensinamentos de São Magaiver

Nossa mente funciona como um Castelo de Legos

Uma metáfora poderosa para explicar o funcionamento de nossos padrões e como eles são construidos

Primeira parte de um artigo dividido em 3 postagens

Alguém lhe pede para montar um pequeno castelo feito com peças de lego e lhe dá meia hora para realizar esta tarefa. Trinta minutos depois, missão cumprida. Porém, a mesma pessoa que lhe solicitou a montagem reprova o resultado. Então ela lhe mostra outro castelo e diz que aquele é o “certo” e que o seu é “errado”. E pede para você desmontar o seu e montar novamente usando o exemplo dela como referência. Qual seria sua reação? Oba, vou desmontar meu castelo e montar novamente! Claro que não. Você vai ficar incomodado, pra dizer o mínimo. Vai xingar o desgraçado. Vai reclamar, perguntando por que não havia sido avisado antes que existia um modelo “certo”, dizendo que perdeu seu tempo, enfim, você não vai gostar nada da situação.

Tudo se encaixa perfeitamente

Pois bem, quanto tempo perdeu? Meia hora, não foi?.Trinta insignificantes minutos. Então pense o que significariam anos, décadas. Pois é o que acontece quando somos questionados por nossas crenças e padrões que demoramos anos para construir. É óbvio que não vamos aceitar a sua derrocada. Não sem lutar. O cérebro considera que o que está feito, está feito. Apesar de ele entender a necessidade de adaptação à novas realidades, ele sempre irá lutar bravamente para manter intactos os conceitos que acumulou ao longo de muito tempo. Porque, afinal de contas, lhe custaram muita energia para construir. E você sabe que para ele, economizar energia é uma prioridade absoluta. É por isso que geralmente nos incomodamos mais refazendo algo do que fazendo. E desmontar torres do nosso Castelo de Legos não faz parte dos planos de ninguém. E mais: quando tentamos convencer alguém que não concorda conosco, estamos, na verdade, tentando preservar nosso castelo, pois se o outro tiver razão, teremos de reformar o nosso. Que horror!

Um sólido castelo construído ao longo do tempo

Nosso conforto emocional está diretamente relacionado ao conjunto de padrões que vamos acumulando ao longo da vida. São como uma construção que começa assim que nascemos e só termina quando damos adeus a este mundo. Tijolinhos que vamos empilhando com todo cuidado. Conforme vamos vivendo, vamos ampliando nossa humilde morada. É puxadinho pra cá, puxadinho pra lá, e logo estamos montados em um castelo cheio de quartos, corredores, cômodos inabitados, um verdadeiro labirinto. Cada cômodo é uma crença que vamos erguendo em nossa vida. Quanto mais velhos vamos ficando, maior é o nosso castelo e, portanto, maior a dificuldade de rever posições, de quebrar algumas paredes. Porque cada padrão que quebramos é uma parede que se vai. E se você já reformou sua casa sabe que não existe reforma simples e indolor. Por abaixo uma simples parede pode dar uma dor de cabeça inacreditável, porque ela sempre estará conectada a uma estrutura, a uma outra parede, a um encanamento ou instalação elétrica importantes. E é isso que acontece no nosso cérebro. Cada vez que a construção que temos em nossa mente se mostra ultrapassada, equivocada, contraditória, resistimos até a morte e não aceitamos estar precisando de mudanças. Negamos que isso seja necessário. Em geral criticamos a nova visão como perniciosa, ultrajante, subversiva. É uma tentativa louca do cérebro de não precisar quebrar um padrão, de não mudar uma ideia que já está consagrada em nossa mente, de não termos de reformar o castelinho mais uma vez.

Preferimos estar confortáveis do que “certos”

É claro que existem diferenças de relevância. Paredes que já estão caindo aos pedaços são mais fáceis de derrubar. Padrões que ainda não estão arraigados ou que se referem a um assunto que não nos é relevante. Quanto mais importante é o assunto, mais relacionado à estrutura do castelo ele estará. Imagine ter que por abaixo o piso térreo de um prédio de vários andares. Não há como fazer isso sem derrubar o prédio inteiro. E mais uma vez negamos a necessidade de mudança. Principalmente daquelas crenças que estão na base de todo um pensamento construído ao longo de anos e anos de suor, lágrimas e sangue. Estes são os padrões que, ao serem quebrados, provocam imensos traumas, já que o estrago é grande. Dificilmente uma pessoa se recupera de um trauma desta monta. É como ter que morrer e nascer de novo. Jogar fora tudo no que se acredita e começar de novo, do zero, como se criança fosse novamente. De fato, é muito difícil resolver este problema. A pessoa já viveu muito, já construiu conexões neurais, já definiu uma forma de ver o mundo, já tem um sem-número de crenças e descrenças, enfim, as chances de a pessoa ter condições psicológicas para se recuperar se tornam muito pequenas. Já os cômodos que vão mudando aos poucos são francamente tolerados. Um tijolinho por vez não dói.

Leia a segunda das três partes deste artigo

 

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São Magaiver

Santo protetor da Criatividade e da capacidade de nos adaptarmos à novas situações de maneiras inusitadas. Ele é o mestre das soluções de problemas, um verdadeiro modelo de comportamento no que diz respeito à utilização do que se tem a mão para resolver problemas dos mais diferentes tipos.

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