Ensinamentos de São Magaiver

Melhore seu desempenho criativo com o Processo House

Nosso cérebro não se conforma em não conseguir resolver um problema importante. Por isso às vezes trabalha em segundo plano utilizando nosso inconscientemente

Se você assistiu ao seriado House, vai lembrar que aquele médico genial tinha enorme conhecimento e que por isso cuidava apenas de pacientes com doenças misteriosas. E a despeito de seu talento, nunca conseguia descobrir qual era o problema de primeira. Tentativa e erro era seu processo. A busca pela cura recorria às mesma técnicas que são utilizadas no processo criativo, afinal, criatividade é, eminentemente, solução de problemas. Era normal ele cobrar de seus assistentes: “Quero ideias!”. Prova de que todo mundo precisa de criatividade, independentemente da profissão.

Como muitos criativos fazem, utilizam um quadro branco em busca de ideias. (Divulgação)

Porém, ele também era encrenqueiro e adorava perturbar seus amigos com suas implicâncias pessoais. E era exatamente na hora em que ele estava envolvido em alguma fofoca ou brincadeira de mal gosto que a resposta surgia em sua mente. E saia correndo, deixando o interlocutor falando sozinho.

Seu cérebro, como de todos nós, estava concentrado na conversa mole, mas continuava trabalhando em segundo plano. Alguma coisa que foi dita ou insinuada neste encontro por acaso serviu de referência para o cérebro, que conseguiu finalmente juntar as peças do quebra-cabeças e, aí sim, ele declarou Eureca! É como se o problema fosse uma peça de Lego a procura de outra peça que nela se encaixe. Ansiando por lógica, o cérebro, no segundo plano vai captando tudo o que acontece ao nosso redor. Cada um destes elementos percebidos é outra peça de Lego. Ele vai tentando encaixar, vai fazendo suposições, tentativas, contorcionismos, tenta as vezes forçar a barra até, mas o sentimento puro e genuíno de “eureca”, de “inspiração” ou “insight”, só acontece quando as duas peças se encaixam suave e perfeitamente. Clic!

É por esta razão que eu sugiro que você sempre dê uma parada estratégica para arejar a cabeça quando estiver mergulhado na busca de uma solução de algum problema. É comum hoje em dia empresas com mesas de ping-pong, pebolim ou sinuca no meio do escritório. Em algumas sedes na Nike, encontramos quadras de basquete para uso dos funcionários.

Sede da Nike m Nova York

O Processo House também trabalha em situações bem menos complexas, como quando tentamos lembrar aquilo que está na ponta da língua, mas que não chega. Como é mesmo o nome daquele ator? Que fez aquele filme? Não que seja essencial para a sua vida, mas de repente vira uma questão de honra você se lembrar. O tempo passa, você faz contorcionismos intelectuais e nada do ator aparecer. A conversa continua e muda de rumos. Seu interlocutor está no meio de um raciocínio sobre a crise na bolsa de valores de Hong Kong e você dá um grito: “Antônio Banderas”! O que houve? Seu cérebro não se conformou em não lembrar e continuou trabalhando em segundo plano, inconscientemente, e só sossegou quando venceu o desafio. Podemos dizer que quando estamos tentando criar ou lembrar de algo, é o nosso consciente que está trabalhando. Mas quando o Processo House começa a funcionar, quem está no comando é o inconsciente.

Processo House Expandido

Processo House são breves pausas durante o processo de desenvolvimento de alguma ideia apenas para uma espécie de oxigenação e relaxamento antes de voltar ao batente. Porém, também aconselho utilizar um desdobramento desta técnica relacionada à interrupção do trabalho que tem mostrado, no caso do Henrique Szklo em particular, uma resposta muito boa.

O Processo House Expandido é um distanciamento do trabalho de longo prazo. O suficiente para você literalmente se desligar dele e ao retomá-lo, estar com a cabeça absolutamente descansada e pronta para interferir no desenvolvimento da ideia como se fosse a partir do zero, sem, no entanto, ser o zero. Exemplo: você tem três projetos diferentes: um curso, um site e um livro. Os três têm uma prioridade mais ou menos equânime, portanto não há uma hierarquia definida. Você começa com o curso, definindo alguns parâmetros e já construindo uma estrutura básica, quase um rascunho. Ai você larga e vai para com o curso. Repete o procedimento e vai para o site. E, mais uma vez Processo House Expandido, e passa para o livro. E vai construindo passo a passo cada um dos projetos. O ideal é que você esqueça mesmo dos outro enquanto estiver focado em um. É claro que seu inconsciente vai continuar trabalhando e não é difícil que ideias surjam para incrementar os trabalhos desconectados. Seguindo em frente, deixe passar horas, dias, semanas e meses até, se tiver este tempo. Ao retornar, suas referências mudaram, seu raciocínio evoluiu. Trabalhar em cima do que já está estruturado é muito mais fácil e enriquece o resultado de forma evidente.

Faça o Processo House quantas vezes julgar necessário. Seu trabalho vai ter mais força, peso e conteúdo. Nosso cérebro tem uma capacidade limitada de manter foco absoluto em um mesmo tema por muito tempo. Então, deixe-o trabalhar em paz. Não force a barra. Se puder, faça do jeito dele e verá que ele sabe o que faz. Faça um último Processo House mesmo quando considerar a ideia pronta. Será sua última chance de aprimorar mais um tantinho o fruto de seu talento criativo.

PARÊNTESIS: não existe essa coisa chamada “ideia pronta”. Uma ideia jamais está nem estará pronta. O que de fato acontece é que de alguma forma precisamos definir um ponto final no processo sob o risco de não termina-lo nunca. Ou de enlouquecermos. Amanhã sempre teremos ajustes interessantes. Ou seja, uma ideia só está pronta quando se extingue seu prazo de entrega.

Não existe lixo na cabeça de um criativo

Muitas vezes o Processo House acontece de forma não premeditada. Você tenta desenvolver uma ideia e acaba desistindo por não ver nela futuro. Não deslancha, não demonstra ser prolífica, não importa a razão. Aí você larga e desiste, partindo para outros caminhos. Tempos depois, folheando um caderno perdido ou arquivos empoeirados em seu computador, se vê diante daquela meia-ideia novamente. Mas, por alguma razão, neste momento ela faz todo o sentido e sua cabeça começa a trabalhar e perceber que agora ela vai deslanchar de verdade.

Por isso, nunca jogue fora nada do que você tenha tentado criar. Um dia o lixo poderá ser reciclado se transformando em uma solução inesperada. Abra uma pasta em seu computador chamada, por exemplo, de “lixo”. E bote lá tudo que você criou e não funcionou, não foi adequado, não deu liga, não importa. Se hoje não funcionou, pode ser que amanhã funcione. Pode ser até que você use uma ideia criada para alguma coisa e depois utiliza-la para resolver outra coisa. Pode ter certeza de que o lixo acumulado é capaz de produzir gases comburentes que podem ser de grande valia numa noite chuvosa.

My precious

J. R. R. Tolkien

A saga “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien, foi escrita em um espaço de 12 anos, de 1937 a 1949. Tolkien, além de escrever lentamente e ser um notório perfeccionista, era professor com intensa atividade acadêmica e tinha vários outros projetos literários. Por conta disso, precisou interromper a redação dos livros por incontáveis vezes ao longo dos anos. Chegou a ficar quase um ano inteiro sem falar com Bilbo Bolseiro. Parece que valeu a pena.

Exercício da Semana
Todas as semanas publicamos um exercício novo. Não deixe de fazê-los. Repita algumas vezes. Se achar que precisa de mais, procure mais exercícios na internet. Crie uma rotina e não falhe. Posso garantir que sua capacidade criativa vai crescer conforme sua experiência. Boa sorte.
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São Magaiver

Santo protetor da Criatividade e da capacidade de nos adaptarmos à novas situações de maneiras inusitadas. Ele é o mestre das soluções de problemas, um verdadeiro modelo de comportamento no que diz respeito à utilização do que se tem a mão para resolver problemas dos mais diferentes tipos.

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