Ciência da Criatividade

O estresse pode ser o melhor amigo da criatividade

A surpreendente relação entre estes dois elementos

Nem todo estresse é prejudicial à criatividade. Na verdade, é o contrário

O senso comum acredita que a criatividade só se desenvolve em ambientes estimulantes que ofereçam espaço para a mente voar livremente. Mas não é bem assim. Existem alguns estudos que comprovam que o estresse pode ser, de fato, um ótimo parceiro e até um estimulador da criatividade.

É bem possível que o funcionário estressado que realiza várias tarefas seja o mais inovador do escritório. Ao contrário do que possa parecer, a relação entre estresse e criatividade não é tóxica. Pequenas doses de estresse – como fazer malabarismos com vários projetos ou trabalhar sob um prazo apertado – provavelmente produzirão as melhores ideias pois motivam seu cérebro a trabalhar com foco em objetivos específicos.

O estresse de “troca de tarefas”

Em um recente estudo comportamental conduzido pela Columbia Business School, os pesquisadores fizeram com que os participantes divididos em 3 grupos se envolvessem em brainstormings criativos para vários projetos:

  1. Poderiam mudar projetos sempre que desejassem
  2. Dividiriam seu foco pela metade
  3. Mudariam continuamente para um projeto diferente em um intervalo definido

Parece brincadeira, mas o grupo mais original foi o 3. A chamada “alternância de tarefas”, embora muito mais rápida, agita o processo de pensamento antes que ele chegue a um limite – e isso acontece com frequência.

Alternar tarefas colabora com nosso desempenho criativo

“Ao enfrentar problemas que exigem criatividade, muitas vezes chegamos a um beco sem saída sem perceber”, explicam os autores do estudo na Harvard Business Review. “Regularmente alternar entre duas tarefas em um intervalo definido pode redefinir o seu pensamento, permitindo que você se aproxime de cada tarefa a partir de novos ângulos.”

Mudar frequentemente de marcha força você a mudar sua visão de cada tarefa à medida que você a revisita. Esse estilo de trabalho promove mais criatividade e evita o “pensamento rígido” que ocorre quando você se concentra por muito tempo no mesmo projeto. Você sabe o que isso significa: o bloqueio mental de escrever, projetar, analisar ou pensar em uma coisa tão difícil, faz você exaurir o assunto. E sua mente.

Este mesmo conceito você pode conferir no artigo escrito pelo Henrique Szklo, onde ele nomeia estre fenômeno como Processo House.

Quatro tipos de estresse

Teresa Amabile, professora da Harvard Business School, explica essa ideia em seu livro “The Progress Principle”. Ela sugere que há quatro condições de estresse:

  • “Em uma esteira”: seu trabalho é de alta pressão, mas pouco significativo.
  • “No piloto automático”: Seu trabalho é de baixa pressão e baixo em significado.
  • “Em uma expedição”: seu trabalho é de baixa pressão, mas alto em significado.
  • “Em uma missão”: Seu trabalho é de alta pressão e alto em significado.

Tanto “em esteira” quanto “em piloto automático” são ambientes de trabalho altamente repetitivos e, portanto, menos envolventes – exigindo pouca criatividade. No entanto, “em uma expedição” e “em uma missão” são mais orientados para objetivos e mais significativos para você como resultado. Esse significado é precisamente o que acende a criatividade, segundo Amabile.

Um trabalho com alta pressão e significado tende a gerar um tipo de estresse que estimula a criatividade

Segundo ela, quando as pessoas alcançam objetivos que consideram significativos, elas “sentem-se bem, aumentam sua autoeficácia positiva” e “ficam ainda mais entusiasmadas para enfrentar o próximo trabalho”.

A relação entre estresse e criatividade depende de como você percebe o estresse que está sofrendo a qualquer momento. Está ligado a um objetivo que você considera significativo? Isso te empurra para atingir esse objetivo? Se assim for, essa pequena dose de estresse pode ajudá-lo a pensar subversivamente lhe dando asas para alçar vôos mais altos em sua carreira.

O estresse do prazo

Talvez o estressor de trabalho mais comum de todos é a restrição de tempo. Mas já vimos que certas quantidades de pressão são importantes para manter uma tarefa criativa avançando.

Amabile pesquisou equipes criativas de sete empresas em três setores. Ela descobriu que, embora prazos apertados dificultassem a criatividade, o mesmo acontecia com prazos moderados.

A primeira situação exigia um prazo apertado para que as pessoas executassem um trabalho de “alta velocidade”, com pouca significação “esteira”. Os esforços desses funcionários simplesmente não estavam causando impacto e, portanto, eles não viam significado suficiente no trabalho para precisar pensar criativamente. Eles enfrentaram crises, tarefas cotidianas e até os exercícios de incêndio, mantendo-se ocupados, mas longe de terminar seu projeto principal.

A eterna corrida pelo prazo

Prazos tranquilos também prejudicaram o pensamento criativo, especialmente se eles permitissem que as pessoas se enfraquecessem em grandes equipes de projeto, parassem para ajudar os outros, ou estariam por muito tempo sobre a mesma tarefa (lembre-se de “troca de tarefas”).

A principal descoberta de Amabile foi que os trabalhadores que tiveram de trabalhar com um prazo baixo a moderado – a opção intermediária entre “apertado” e “tranquilo” – ​​mostraram maior criatividade em cada organização, seguidos por aqueles com prazos apertados. O estresse de uma data de vencimento pode não ser excitante, mas um ambiente sensível ao tempo pode dar ao seu trabalho o foco que ele merece e ajudá-lo a afastar as distrações que podem inviabilizar uma linha de pensamento criativo.

Muita calma nessa hora

Encontre o “seu” estresse criativo

A relação entre estresse e criatividade é complexa, e qualquer um desses estressores em excesso pode arruinar a criatividade. Muita pressão, muitas tarefas ao mesmo tempo e tarefas com um tempo de resposta muito curto podem enfraquecer o produto final.

Se você achou este artigo estressante, fique tranquilo. Cada um tem um jeito de funcionar. Nem todo mundo precisa de uma faca no pescoço para ser criativo. Primeiro, acalme-se. Respire fundo, conte até 10 e depois faça pequenas experiências para descobrir qual é o seu limiar pessoal. Qual é o limite de estresse que mais favoreça a sua criatividade. Depois é só relaxar e…

 

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Lena Feil

Gaúcha de nascimento e cidadã do mundo por opção, é formada em Desenho Industrial e Psicologia, é feminista e pensadora em período integral. Usa o cérebro para entender o cérebro. Estudiosa do comportamento e da criatividade, entusiasta da vida, viciada em novidades, em filosofia, no ser humano e em coisa mundanas também. É absolutamente fascinada por crianças, adora café, ama viajar, é geralmente divertida, e – às vezes – esnobe. Hoje, atua com Coolhunter da Escola Nômade para Mentes Criativas, sempre em busca do que existe de mais subversivo, inteligente e relevante em todas as partes do mundo.

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