A História das Coisas

O nada que é uma das mais importantes invenções da humanidade

O número zero tem um papel fundamental na evolução humana

Parece estranho, mas o zero, não apenas o número, mas o conceito, é mais ou menos novo. Não há um consenso sobre a sua história. O que se sabe é que antes de sua criação/descoberta, os matemáticos suavam para fazer os cálculos aritméticos mais simples. Hoje, graças ao zero, além de cálculos, é possível realizar equações complexas. Até a invenção dos computadores seria impossível sem ele. O zero não é nada, mas é muito.

Existe uma fundação, com sede na Holanda, que pesquisa as origens do dígito zero, a Fundação ZerOrigIndia, ou, Projeto Zero. Segundo Peter Gobets, seu secretário, “O Projeto Zero supõe que o zero matemático (‘shunya’, em sânscrito) pode ter surgido da filosofia contemporânea do vazio ou Shunyata”.

Tudo indica, entretanto, que a ideia do zero se desenvolveu de forma independente por várias civilizações ao redor do mundo: babilônios, maias, chineses e hindús.

Cunhas anguladas: ancestrais do zero

Os sumérios, foram os primeiros no mundo a desenvolver um sistema de contagem e os babilônios herdaram deles seu sistema de numeração. Desenvolvido 4.000 a 5.000 anos atrás, o sistema sumério era posicional, ou seja, o valor de um símbolo dependia de sua posição em relação a outros símbolos.

Os babilônios exibiram zero com duas cunhas angulares (meio).

Robert Kaplan, autor de “The Nothing That Is: A Natural History of Zero,”(O nada que é: uma história natural de zero, em livre tradução), acredita que primeira evidência que temos de zero é da cultura suméria na Mesopotâmia, há cerca de 5.000 anos. Lá, uma cunha dupla inclinada foi inserida entre os símbolos cuneiformes para números, escritos posicionalmente, para indicar a ausência de um número em um lugar (como escreveríamos 102, o ‘0’ indicando nenhum dígito na coluna das dezenas). Para Kaplan, o sistema dos sumérios passou pelo Império Acadiano para os babilônios por volta de 300 a.C.

Inicialmente, os babilônios deixaram um espaço vazio em seu sistema numérico cuneiforme, mas quando isso se tornou confuso, eles adicionaram um símbolo – cunhas em ângulo duplo – para representar a coluna vazia. No entanto, eles nunca desenvolveram a ideia de zero como um número.

Os maias usavam um caractere parecido com um olho [superior esquerdo] para representar o zero

Do outro lado do mundo

Os maias também desenvolveram zero como espaço reservado para representar um espaço vazio em seus elaborados sistemas de calendário. Apesar de serem matemáticos altamente qualificados, nunca usaram zero em suas equações. Kaplan descreve a invenção maia de zero como o “mais notável exemplo do zero sendo concebido totalmente do nada”.

Índia: onde zero virou número

O Dr. George Gheverghese Joseph sugere que a palavra sânscrita para zero, śūnya, significava “vago” ou “vazio” e derivava da palavra para crescimento, combinada com a definição inicial encontrada no Rig-veda de “falta” ou “deficiência”. A derivada das duas definições é Śūnyata, uma doutrina budista do “vazio”, ou esvaziar a mente das impressões e pensamentos.

Os hindus representavam zero como um ponto

De acordo com a Universidade de Oxford, uma inscrição em uma parede do templo em Gwalior, na Índia, remonta ao século IX e foi considerada o exemplo mais antigo registrado de um zero. Outro exemplo é um antigo pergaminho indiano chamado manuscrito de Bhakshali. Descoberto em 1881. Testes de Carbono 14 revelaram que provavelmente foi escrito no terceiro ou quarto século, fazendo o uso mais antigo registrado de zero recuar 500 anos.

Al-Khowarizmi, o pai do Algorítmo

Aproximadamente em 800 d.C, o zero chegou à Arábia, onde passou a fazer parte do sistema numérico árabe, baseado no indiano. Um matemático persa, Mohammed ibn-Musa al-Khowarizmi, sugeriu que um pequeno círculo deveria ser usado em cálculos se nenhum número aparecesse na casa das dezenas. Os árabes chamavam esse círculo de “sifr” ou “vazio”. O zero foi crucial para que al-Khowarizmi pudesse inventar a álgebra no século IX. Al-Khowarizmi também desenvolveu métodos rápidos para multiplicar e dividir números, que são conhecidos como algoritmos – uma corruptela de seu nome.

Os chineses começaram a escrever o círculo aberto que agora usamos para zero

Os mouros levaram o zero para a Europa, e lá foi desenvolvido pelo matemático italiano Fibonacci, que o utilizou para fazer equações sem um ábaco, então a ferramenta mais comum para fazer contas. Ficou tão popular entre os comerciantes, que começaram a usar as equações de Fibonacci utilizando o zero para seus registros.

Líderes religiosos medievais na Europa não gostavam zero pois o consideravam uma manifestação satânica. Se Deus era tudo, o nada só poderia ser o diabo.

O governo italiano, com a pulga atrás da orelha com relação aos números árabes, proibiu seu uso. Os comerciantes continuaram a usá-lo secretamente, e a palavra árabe para zero, “sifr”, gerou a palavra “cifra”, que não significa apenas um caractere numérico, mas também “código”.

Nos anos 1600, o zero já era usado de forma ampla por toda a Europa. Foi fundamental no sistema de coordenadas cartesianas de Rene Descartes e no cálculo, desenvolvido tanto por Sir Isaac Newton quanto por Gottfried Wilhem Liebniz. O cálculo viabilizado pelo zero abriu o caminho para a física, engenharia, computadores e grande parte da teoria financeira e econômica. O zero é tudo.

LINHA DO TEMPO

O primeiro zero registrado apareceu na Mesopotâmia por volta de 3 a.C. Os maias desenvolveram o conceito independentemente por volta de 4 d.C. Foi encontrado na Índia em meados do século V, espalhado pelo Camboja no final do século VII, e na China e nos países islâmicos no final do século VIII. Zero chegou à Europa Ocidental no século XII.

Fonte
Live ScienceScientific American
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Coordenadoria Pedagógica

Equipe multidisciplinar composta por filósofos, psicólogos, sociólogos, antropólogos, semiólogos, zoólogos, paleontólogos, teólogos, epistemólogos, tarólogos, bacteriólogos, monólogos, ufólogos, podólogos e egiptólogos, responsáveis por definir os caminhos pedagógicos da Escola Nômade para Mentes Criativas,

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