A História das CoisasItália

A história do vovô do Smart e a criatividade em tempos difíceis

A Isetta foi o exemplo de como o pós-guerra exigiu dos empreendedores ideias realmente revolucionárias

Isetta, fruto de um esforço criativo admirável

Eu sempre digo que é quando estamos carentes de recursos que a criatividade floresce com mais energia e força. E na história da humanidade as guerras são, em geral, os momentos que mais pressionam as pessoas a encontrar soluções eficientes utilizando recursos escassos.

E não é por que a guerra acaba que os problemas desaparecem como que por mágica. O pós-guerra igualmente é uma época de ferozes desafios. E grandes desafios, quando superados, geralmente resultam em realizações de grande expressão. O movimento Bauhaus é um exemplo clássico.

Neste artigo vou falar de uma destas demonstrações do engenho humano nos momentos que exigem medidas de extrema criatividade. E o resultado que revolucionou o mercado da época.

A origem de uma grande ideia

A Isetta foi um microcarro produzido entre 1953 e 1956 pelo fabricante de automóveis italiano Iso di Bresso e, sob licença, pela BMW entre 1955 e 1962. O BMW Isetta, em 1955, foi o primeiro carro econômico produzido em massa, consumindo 3 litros para cada 100 km. Foi também o motor de um cilindro mais vendido de todos os tempos com 161 728 unidades comercializadas.

Em 1939, Rivolta fundou o Iso, especializada em sistemas de refrigeração, em Bolzaneto, na província de Gênova, Itália. Em 1943, mudou-se para Bresso, na província de Milão, em um galpão de Isotta Fraschini, onde passou a produzir também eletrodomésticos. Após a Segunda Guerra Mundial, no entanto, Renzo Rivolta percebeu que uma das maiores necessidades e prioridades da população italiana era ter um meio de transporte econômico, muito mais do que as opções da época como o carro barato da Fiat, o Topolino, que era inacessível para a maioria da população italiana no início da década de 50. Decidiu, então, converter a produção de eletrodomésticos por motocicletas.

Após pequenos sucessos, o Renzo decidiu que era hora de uma grande reviravolta, partindo para a produção de carros, e o nome da empresa foi alterado para Iso Autoveicoli SpA. O que ele tinha em mente era um veículo que estivesse no meio do caminho entre uma motocicleta e um Topolino. Devia ser simples como uma motocicleta, mas com uma carroceria fechada como um carro.

O desenvolvimento

Para Renzo Rivolta a prioridade foi o conforto dos passageiros, e soluções da mecânica dentro da carroceria. Para construir o novo carro, confiou em dois jovens engenheiros com formação em aeronáutica: Ermenegildo Preti e Pierluigi Raggi. Preti havia desenvolvido um projeto semelhante durante os anos da guerra, prevendo a enorme escassez de recursos no futuro.

O primeiro protótipo foi construído em 1952 e já apresentou muitas das soluções – técnicas e estéticas – presentes no carro final, como o formato de ovo, a mecânica derivada de motocicletas e a presença de uma única porta da frente, que era praticamente o nariz inteiro do carro. Ermenegildo Preti posteirormente revelou que baseou-se no design de um avião que tinha a parte dianteira, destinada ao cockpit, articulada de um lado e completamente aberta.

Este protótipo também estava equipado com apenas três rodas: duas na frente e uma na parte de trás, uma solução que logo foi abandonada quando se notou, durante os testes rodoviários, a falta de estabilidade nas curvas. Para corrigir este problema, foi escolhida uma solução intermediária que foi equipar o carro com quatro rodas: duas traseiras bem próximas uma da outra para evitar a necessidade des e  instalar um diferencial, o que levaria a um aumento de peso, complexidade mecânica e custos.

O lançamento

O modelo final foi apresentado à imprensa em 1953 e para o público oficial alguns dias depois no Salão do Automóvel de Turim. A reação do público a este carro em forma de helicóptero ou cabine de planador foi surpreendente. A Isetta parecia futurista e em comparação com os principais concorrentes, também apresentou excelente desempenho, alcançando 85 km / h. Só sofria um pouquinho nas subidas. Mas o que você pode esperar de um ovo com rodas?

Estrutura de Vanguarda

A Isetta, de fato, causou grande frisson devido à sua forma incomum e de vanguarda, tanto em termos de design quanto, acima de tudo, pelas soluções racionais, criativas e inteligentes necessário para fazer este pequeno veículo um carro real em todos os aspectos. Muitos já o chamaram de brilhante. O que mais chamou a atenção foi que seu pequeno interior era acessado através da grande porta da frente, que era formada por toda a parte dianteira do carro. Esta última ideia, muito original, foi criada nas últimas fases do projeto, quando o carro estava quase no estágio final.

A brasileira Romi-Isetta

Em 1955, a Romi, um fabricante de máquinas e ferramentas em Santa Bárbara d’Oeste, São Paulo, licenciou-se para produzir o carro. A Isetta foi escolhido porque foi considerado um veículo ideal para uso nas cidades em virtude de seu tamanho e economia. Lançado em 5 de setembro de 1956, foi o primeiro carro produzido no Brasil e recebeu a aprovação do governo de Juscelino Kubistchek como parte de uma campanha apoiada pelo Estado para estabelecer uma indústria automotiva no país. Cerca de 3.000 dos Romi-Isettas foram fabricados de 1956 a 1961, sem a ajuda do governo.

Detalhes técnicos da Romi-Isetta

  • Primeira versão (1956)
  • Motor: transversal traseiro, um cilindro a dois tempos, 198cc e 9,5cv.
  • Transmissão: tração traseira por corrente, com câmbio manual de 4 marchas.
  • Suspensão: independente (molas de borracha e amortecedores de fricção) na dianteira; feixe de molas com eixo rígido e braço oscilante na traseira.
  • Freios: hidráulicos a tambor nas 4 rodas.
  • Dimensões (metros): comprimento, 2,25; largura, 1,34; altura, 1,32, entre-eixos, 1,50.
  • Peso: 360 kg.
  • Velocidade máxima (estimada): 85 km/h
  • Aceleração (estimada): 0-80 km/h em 60 segundos
  • Consumo: 25 km/litro
  • Em 1959, a Romi-Isetta passou a ser equipada com um motor BMW de quatro tempos e 298cc, que rendia 13cv.
Fonte
O GloboWikipedia
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São Magaiver

Santo protetor da Criatividade e da capacidade de nos adaptarmos à novas situações de maneiras inusitadas. Ele é o mestre das soluções de problemas, um verdadeiro modelo de comportamento no que diz respeito à utilização do que se tem a mão para resolver problemas dos mais diferentes tipos.

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