Blog do Henrique Szklo

A criatividade é a base do profissional que quer estar no topo da cadeia alimentar

Considerado pelo mercado como o perfil ideal para os dias de hoje, o profissional T (ou T-shaped professional) pode ser ainda melhor

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Já foi o tempo em que o mercado considerava os especialistas como a quintessência do profissional desejado e disputado pelas empresas. Hoje está claro pra todo mundo que a especialização exagerada causa entraves em qualquer organização, gargalos, gente trabalhando demais e outras de menos no mesmo espaço, cada um cuidado de seu umbigo e deixando que o fluxo de trabalho seja irregular e muitas vezes ineficiente. Já ouvi muito em minha carreira a famosa frase “não sou pago para fazer isso”.

É claro que existem profissões que exigem altíssima especialização como medicina e tecnologia de ponta. Mas mesmo estes profissionais também precisam acumular novos talentos para levar sua carreira de forma mais eficiente.

Por outro lado, o profissional generalista, aquele sem profundo conhecimento em nenhuma área, estará sempre um ou mais passos atrás na busca por empregos em setores competitivos e de rápida evolução.

Em um artigo da Harvard Business Review, os autores observam que os generalistas não são tão produtivos ou eficazes quanto os especialistas em ambientes de ritmo acelerado: “Os generalistas parecem ter relativamente sucesso, desde que o ritmo da mudança não seja muito rápido”.

Para baixo e para o lado

Existe uma convenção no mercado internacional de representar o especialista com uma linha vertical, já que se aprofunda em uma determinada habilidade e o generalista é representado por uma linha horizontal por ter um largo espectro de habilidades, mas nenhuma com profundidade.

O momento agora é daqueles profissionais em forma de T, ou T-shaped professionals. São aqueles com profundo conhecimento em pelo menos uma área, mas que também acumulam conhecimento superficial em muitas outras. Ou seja, além de especialistas eles também são generalistas.

Claro está, portanto, que nos dias de hoje o profissional de qualidade precisa ser multidisciplinar. É fundamental que tenha um profundo conhecimento de sua especialidade, mas não pode mais abrir mão de acumular as chamadas soft skills.

Não é de agora

A referência popular mais antiga deste conceito é de David Guest em 1991. Mas o conceito só ganhou popularidade depois que o CEO da empresa de consultoria de design IDEO – Tim Brown – endossou a ideia ao examinar os currículos dos candidatos. Referências anteriores podem ser encontradas na década de 1980, quando o termo “homem em forma de T” foi usado internamente pela McKinsey & Company para recrutar e desenvolver consultores e parceiros, homens e mulheres.

O termo “habilidades em forma de T” também é comum no mundo do desenvolvimento de software ágil e refere-se à necessidade de desenvolvedores e testadores com habilidades diversas, por exemplo, numa equipe de scrum.

Quem para de aprender para de crescer

O profissional do tipo T tem, por definição, curiosidade e fome de conhecimento. Busca entender como as coisas funcionam e por isso mesmo estão mais preparados para enfrentar os desafios da inovação. São adeptos do Lifelong learning e provavelmente só vão parar de buscar conhecimento quando forem desta para melhor.

Essa qualidade é essencial também no ensino superior, onde professores e alunos buscam continuamente novas maneiras de usar a tecnologia para promover o aprendizado, colaborar em pesquisas, acessar informações e compartilhar conhecimentos.

A mente aberta só traz vantagens. Novas soluções são encontradas para os problemas já que você tem um repertório muito maior de elementos para gerar novas conexões. E, importante: numa velocidade muito maior do que aquelas que pensam em buscar alternativas apenas quando for estritamente necessário, perdendo assim tempo e energia.

Uma nova definição

Mas refletindo sobre este conceito, ousei encontrar uma lacuna. Senti falta de alguma coisa nestes profissionais T. Não demorou muito para encontrar o que estava me incomodando: chegou a ser ridículo de tão óbvio. Tudo o que eu penso na vida, está relacionado com ela. A minha visão de mundo é toda orientada pela busca dela: a criatividade. Pensando nisso, incorporei mais uma linha horizontal na letra, desta vez em sua base, formando um i serifado. E chamei, pasme, de Profissional I ou, para os gringos I-shaped professional. Sua função: potencializar as duas linhas a que dá inspiradora sustentação.

Uns poderão dizer que a criatividade está implícita no modelo T. A esses eu respondo que a criatividade só funciona se for explícita. O fato de uma pessoa ser multidisciplinar não implica necessariamente em ser uma pessoa criativa. É preciso um pouco mais que isso.

Só porque a pessoa tem um excelente preparo físico e um biotipo ideal não quer dizer que ela seja, automaticamente, uma atleta. Não é só porque alguém é profundo conhecedor de gastronomia que será consagrado como um grande chef. O conhecimento é a base de tudo, claro, mas a mágica só acontece com quem estuda e pratica a mágica.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é…

Não há dúvidas de que, comparado ao especialista e ao generalista, o T é o mais indicado para desenvolver ideias inovadoras. Porém, a criatividade não surge sem um esforço de vontade, sem treinamento, sem desejo, sem conhecer o processo ou os atalhos. Você pode ter todo o conhecimento do mundo, todos os skills, do soft ao hard, e mesmo assim ter dificuldade em criar. O pensamento criativo exige um comportamento específico, uma atitude

O maior diferencial do profissional I, portanto, é a capacidade de criar, de pensar diferente, de sentir arrepios ao se confrontar com clichês, de rejeitar o senso comum, de buscar sempre sempre o novo, o que ninguém fez, o que ninguém pensou, o que as pessoas querem, o que as pessoas ainda não sabem que querem.

Diria até que a criatividade é igualmente necessária aos especialistas e generalistas, formando o profissional T de ponta-cabeça e o sinal de igual, respectivamente. Todo mundo é potencialmente criativo. Basta desenvolver.

O bom gestor é aquele que sabe ler o i

Porém, é preciso deixar claro, que um profissional tipo I não é fácil de administrar. Não aceita as coisas como o estabelecido e tende a questionar tudo. Para o gestor despreparado, esse é o inferno na terra. Para quem gosta de mandar e não ser confrontado, sugiro contratar apenas profissionais sem a barra horizontal inferior. É o que eu digo: não é fácil ser criativo, mas também não é criativo ser fácil.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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