Como funciona a mente criativa

Como as pessoas funcionam? O que impulsiona nosso comportamento? Por que agimos da maneira que agimos? E o mais importante, como a criatividade se insere neste cenário complexo?

 

Obsessão pela lógica

Por que sou criativo? Por que não sou? Por que tenho bloqueios? De onde vêm as ideias? São várias as perguntas que fazemos quando o assunto é criatividade. E eu não me sentiria confortável sem encontrar algumas boas respostas, que oferecessem alguma lógica e, ao mesmo tempo, ajudassem no meu aprimoramento. É por isso que minha teoria, a NeuroCriatividade Subversiva, é alimentada diariamente por uma quase obsessão de encontrar explicações lógicas sobre tudo o que se refere a nosso comportamento. Eu quero saber e ponto final. Não encontrei todas, claro, mas a jornada tem sido fantástica e a cada mínima descoberta descortina-se mais um punhado de outras dúvidas que passaram a ser meus próximos objetos de reflexão e desejo.

É melhor ser criativo

Criar, além de não ser um dom, é uma habilidade natural do ser humano (uma das mais importantes da atualidade), por isso pode e deve ser desenvolvida. E entender como a máquina humana funciona traz imensos benefícios ao processo. Seja no plano pessoal, seja no profissional. O mais criativo sempre vai encontrar vantagens competitivas na maioria de suas disputas. E para ser mais criativo, não basta apenas esperar que as ideias despenquem em sua cabeça como algum tipo de manifestação divina ou seguindo aquelas regrinhas tolas que encontramos todo dia na internet.

Ao conhecer o mecanismo que nos controla, você terá oportunidade de manipulá-lo em seu favor. Do contrário, seu inconsciente terá controle total sobre você e tomará todas as decisões. Inclusive a decisão de não ser criativo.

De curiosidade para modo de vida

Durante boa parte da minha vida, fui um criativo intuitivo. Trabalhava com criatividade todos os dias, como publicitário, mas não fazia a menor ideia do que estava acontecendo na minha cachola durante o processo. Sempre fui curioso, mas demorou alguns bons anos até eu me interessar verdadeiramente pelo assunto a ponto de olhar fixamente em seus olhos. Durante um tempo fui um “pesquisador leviano”, já que era mais um hobby do que propriamente um estudo.

Foi quando decidi deixar a publicidade e começar a minha investigação de forma séria e comprometida. E lá se vão alguns anos, centenas de alunos, dois livros escritos sobre o assunto e mais um a caminho.

Neste tempo tenho desenvolvido a NeuroCriatividade Subversiva, e meu laboratório são minhas aulas, o mundo a minha volta e meu mundo particular. Prefiro chamar de investigação ao invés de estudo já que não compreende nenhum tipo de metodologia acadêmica. É mais resultado de uma curiosidade impertinente do que propriamente um objetivo formal, estruturado.

A Estrela de Dentro

Como princípio, a NeuroCriatividade Subversiva define 5 forças ocultas que impulsionam nosso comportamento, determinam nossa personalidade e, consequentemente, nossa criatividade. É uma estrela de cinco pontas: a Estrela de Dentro:

  • Código genético
  • Padrões adquiridos
  • Interação social
  • Inconsciente coletivo
  • Ambiente físico-social

Cada uma destas forças age de forma independente e, é claro, em cada pessoa com pesos diferentes. E não são estanques. Se fortalecem e se enfraquecem constantemente, aumentando e diminuindo sua influência no todo, criando um complexo sistema de compensações que funcionam, pelo menos em princípio, para nos manter vivos.

A criatividade é filha do comportamento

A criatividade nada mais é que uma ferramenta de sobrevivência que pegou uma carona na evolução exponencial de nosso cérebro ao longo dos milênios. Não é possível desconectar a criatividade do comportamento. Ela faz parte dele. Por isso, não se deve abordar a criatividade como um fenômeno isolado, sob o risco de não chegarmos nem perto de uma compreensão real. É estudar o uso de martelo ao invés de investigar toda uma marcenaria.

A expressão autoconhecimento pode estar meio vulgarizada, mas ainda faz bastante sentido quando relacionada à NeuroCriatividade Subversiva. Não apenas com relação ao impacto que tem tido sobre minha vida e a da Lena, mas, principalmente, na vida de meus alunos. É uma faceta que, para mim, tomou um rumo surpreendente quando me dei conta de que era possível trabalhar o autoconhecimento por meio da criatividade.

10 efeitos da NeuroCriatividade Subversiva

Pode parecer estranho, mas faz todo o sentido. Ao longo dos anos notei em meus alunos algumas reações comuns e que, num primeiro olhar, nada têm a ver com criatividade. Mas só no primeiro. No segundo, já faz todo o sentido.

Felicidade

Ao entendermos nosso mecanismo emocional, temos mais condições de administrar nossa vida, privilegiando o que nos faz bem e administrando o que ameaça nosso bem-estar.

Dinheiro

O criativo tem e sempre terá vantagens competitivas nos negócios, sendo funcionário ou dono de seu próprio nariz. Entender a si mesmo significa ao mesmo tempo entender também os outros. E quem quer fazer sucesso nos negócios precisa saber como as pessoas são e como reagem aos mais diversos estímulos.

Liberdade

Somos prisioneiros de nossos padrões. E sempre seremos. Porém, a consciência de como funcionamos faz com que tenhamos a possibilidade de mitigar este controle. Só assim seremos capaz de “enganá-lo” de vez em quando e seguirmos por caminhos diferentes daqueles para os quais fomos programados.

Paz

Entendendo os processos da natureza e sua lógica, temos condições de acalmar o coração diante de um mundo especializado em nos angustiar. A compreensão do porquê de agirmos como agimos, diminui a culpa, já que boa parte de nossos “pecados” não estão nem de perto sob nosso controle. E ao detectá-los, somos capazes de administrá-los para obter resultados mais confortáveis.

Alegria

O prazer de criar é cumulativo. Ao desenvolver o hábito da criação, seus momentos de alegria se multiplicarão. É claro que existe também angústia no processo criativo. Mas se não fosse por isso, não teríamos a sensação de vitória nem reconheceríamos o valor de resolver um problema com uma ideia original.

Equilíbrio

Conhece a ti mesmo. Observe que os grandes sábios do mundo de todos os tempos sempre foram pessoas de temperamento tranquilo e equilibrado. A razão é simples: só o conhecimento diminui o medo. E ao reduzirmos o medo, aumentamos nosso equilíbrio.

Realização

Por questões óbvias, nós apenas nos sentiremos realizados se descobrirmos nossa verdade individual, nossa real vocação, aquela que vem diretamente da alma. Não existe realização em ser bem-sucedido em algo que não faz parte de nós. Como dizia Joseph Campbell “Siga sua felicidade e portas se abrirão onde você nem sabia que haviam portas”.

Confiança

A insegurança está diretamente relacionada à falta de conhecimento. Quando descobrimos quem somos, como somos e o que queremos de verdade, temos todas as condições de nos sentirmos mais assertivos e confiantes. Também podemos considerar que ao compreendermos melhor nosso modus operandi, aprendemos a lidar melhor com os fracassos e, assim, eles deixam de nos assombrar de forma tão intensa.

Estabilidade

Lembre-se que a natureza é uma máquina de precisão com zilhões de peças trabalhando de forma interdependente. Nós, é claro, somos uma dessas peças. E quanto mais tomarmos conhecimento do nosso papel dentro da engrenagem, mais condições de nos posicionarmos de forma estável e duradoura.

Paixão

Não existe criatividade sem paixão. Portanto, ao desenvolver a sua criatividade, você aos poucos entrará em contato com outra dimensão de sua vida, que você nem sabia que existia. Um lugar onde as paixões são frequentes e desopilantes.

Um método baseado na experiência pessoal

Na primeira hora, desenvolvi apenas a parte teórica, porém sabia que em algum momento teria de encontrar um método, sem o qual a teoria não faria praticamente nenhum efeito sobre as pessoas. Foi aí que surgiu o Dezpertamento Criativo, assim mesmo, com z. Ficou muito claro para mim que os melhores resultados ocorrem quando você trabalha com a teoria e depois realiza exercícios e dinâmicas para corroborar e gerar aderência emocional, sem a qual as mudanças não acontecem. Informações, por mais relevantes que sejam, só nos afetam de verdade se forem acompanhadas de uma experiência pessoal.

A prática é fundamental. O ato de criar incessantemente é a única maneira de aprender e aprimorar. Conhecer apenas os fundamentos do futebol não faz de você um boleiro. É muito importante, essencial. Porém, é preciso jogar. Senão, nada feito.

A fórmula da criatividade

Num terceiro passo, criei uma espécie de passo-a-passo chamado A Jornada do Criativo, que tenta de forma simples e lúdica reproduzir todo o processo criativo, desde o surgimento do problema até a concepção de uma ideia para resolvê-lo.

Nunca vai acabar

Como a vida, a NeuroCriatividade Subversiva está em constante evolução. A cada aula, a cada palestra, a cada conversa surgem novos insights, novas conexões, novas lógicas que me trazem imenso prazer e motivação. Meus neurônios se divertem e fazem festa.

Tenho um problema de me desinteressar pelas coisas que eu de certa forma consigo dominar intelectualmente. E como estou convicto de que jamais conseguirei compreender nem uma fração do que é a criatividade em estado puro, acredito que achei um ótimo emprego para o resto de minha vida.

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Assista à websérie NeuroCriatividade Subversiva

 

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