Blog do Henrique Szklo

Vivemos sobre uma gangorra. Faça ela pender pro seu lado

Sem brincadeira: o equilíbrio como conceito absoluto não existe na Natureza

Quando você vai tomar banho, em geral, encontra no box dois registros: um que regula a água quente do chuveiro e outro que regula a água fria. Para chegar à temperatura adequada ao banho, você aciona os registros de forma independente para que a mistura atinja seu objetivo. Mas qual é a temperatura ideal para um banho? Depende. No inverno o registro de água quente será mais acionado que o outro. No verão, vice-versa. Ou seja, o equilíbrio como conceito absoluto não existe na Natureza. Depende e sempre dependerá das circunstâncias.

Somos cercados de dualidades por todos os lados: macho e fêmea, céu e inferno, claro e escuro, noite e dia, vivo e morto, certo e errado, bom e ruim, verdade e mentira e por aí vai. Note que os extremos são os limites intransponíveis de cada conceito. Não existe nada mais negativo que o não, nem mais positivo que o sim. Entretanto, entre o sim e o não podemos navegar por infinitos pontos de equilíbrio.

Muitas de nossas características são resultado de uma série de componentes químicos e físicos que fazem com que sejamos mais ou menos agressivos, mais ou menos ansiosos, mais ou menos corajosos, mais ou menos sensíveis e por aí vai. Milhares, milhões, infinitos elementos que, combinados, promovem diferentes resultados. É claro que o ambiente e a experiência de vida vai ajudar a determinar seu caráter, mas tudo começa com sua estrutura inata. Aí nos deparamos com a imagem de uma gangorra que eu chamo de Gangorra Vital: não importa sua posição, sua postura, sua índole, você terá sempre vantagens e desvantagens em relação ao ambiente em que vive.

A Natureza promove uma disputa de poder ininterrupta entre as dualidades e isso faz com que a Gangorra Vital penda cada hora para um lado em função do peso que um dos lados adquire. Remédio e veneno são a mesma fórmula, a diferença está na dose. Um cachorro que vive na floresta, tem que apresentar um nível de agressividade extrema para tentar garantir sua sobrevivência. Caso contrário terá poucas chances de chegar à vida adulta. Já o cachorro doméstico, que tem abrigo, água e comida; que não precisa, portanto, lutar por sua sobrevivência, terá mais chances de chegar à velhice se demonstrar um nível baixo de agressividade. Ou correrá um sério risco de ser sacrificado. Neste caso estamos tratando de uma Gangorra Vital funcionando entre os opostos manso e bravo.

A Natureza é tão complexa e as possibilidades são tão espetacularmente numerosas, que não existe nenhum ponto de equilíbrio que seja definitivo. Cada momento, cada circunstância, cada minuto pede um ideal diferente. Veja, por exemplo, o calor e o frio. Os seres vivos, em geral, precisam do calor para se manterem vivos e o frio é uma ameaça à sua sobrevivência. Já os seres mortos precisam do frio para se manterem preservados e o calor acaba por degradá-los. Não sei se você se deu conta, mas isso tem tudo a ver com a luta pela sobrevivência: a capacidade de adaptação é a chave para animais e plantas se manterem vivos.

A Gangorra Vital é o ponto de partida que explica os processos, ferramentas e conceitos utilizados pela Natureza para nos manter vivos e proliferarmos. Ela produz indivíduos de uma mesma espécie com características diversas justamente para ampliar sua capacidade de adaptar-se ao ambiente. Se todos os indivíduos de uma mesma espécie forem idênticos, bastaria um fenômeno intransponível para que ela se extinguisse de uma vez. Portanto o indivíduo mais adaptável para sobreviver num determinado ambiente é aquele que, em razão de sua configuração da Gangorra Vital, se apresenta com um maior índice de vantagens do que de desvantagens, ou seja, uma maior capacidade de adaptação. Quem se adapta continua. Quem não se adapta morre. É o princípio da evolução das espécies.

Entendendo e introjetando o conceito de dualidade, estaremos mais aptos a compreender um pouco da lógica de funcionamento de nosso cérebro e do mundo que nos cerca. Assim sendo, ao buscarmos soluções originais para problemas, poderemos explorar o conceito de opostos interdependentes, pois uma das formas mais eficientes de iniciar um processo de criação é encontrar os pólos relativos ao tema tratado e utilizá-los como referências fundamentais, como potenciais indutores. Resultado: a Gangorra Vital vai pender para o seu lado.

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Henrique Szklo

Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação, mas hoje já está curado. É Filósofo da Criatividade, professor, palestrante e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria – NeuroCriatividade Subversiva – e seu próprio método – Dezpertamento Criativo. É colaborador no site Proxxima (M&M), no Blog Café Brasil e coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palmeirense.

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