Blog do Henrique Szklo

Quase tudo o que você gostaria de saber sobre criatividade

Um resumo bem resumido do que eu penso sobre criatividade e comportamento

Entrevista concedida a Cléberson Alcântara, jornalista da área de marketing da Live University, uma faculdade especializada em pós-graduações na área de negócios. Resolvi reproduzir aqui pois acredito que é um bom resumo do que eu acredito em relação à criatividade e comportamento.

A criatividade é um dom ou uma competência que pode ser adquirida?

Não é dom. Como você disse, é uma competência como outra qualquer que pode e deve ser desenvolvida. E desenvolver a criatividade não é apenas uma escolha facultativa: é essencial para a nossa vida. A capacidade de resolver problemas com mais facilidade e eficiência vão fazer total diferença em nossas vidas. Pessoalmente e profissionalmente.

No mercado de trabalho, a criatividade é cada vez mais uma vantagem competitiva. Pesquisas recentes apontam que a criatividade é a competência mais desejada pelas empresas. É claro que cada um tem suas limitações. Você precisa conhecer e utilizar o processo de desenvolvimento criativo, mas, como no futebol, por exemplo, mesmo treinando muito, nem todo mundo será um Neymar. O que não quer dizer que isso deva nos desanimar.

O desenvolvimento pessoal precisa ter como parâmetro nós mesmos. O quanto podemos melhorar. A comparação com outros serve apenas para nos motivar a avançar. Concluindo, não existe contraindicações para se desenvolver criativamente, ao contrário: a vida é muito melhor com criatividade.

Como é possível desenvolver a criatividade?

Segundo a teoria que tenho desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos, para desenvolver a criatividade você precisa transformar seu mindset por meio de basicamente 3 Estágios.

Primeiro Estágio | Criatividade e comportamento estão unidos incondicionalmente, ou seja, se você observa a capacidade humana de criar, vai automaticamente estar observando também o comportamento.

Minha teoria parte do princípio de que é preciso começar estudando o cérebro e seu funcionamento para entender, por exemplo, por que bloqueamos, porque certas pessoas são mais criativas que outras, qual é a força que nos impulsiona a criar novas soluções, porque temos dificuldade em sair da zona de conforto e etc.

São 5 os elementos que influenciam nosso comportamento e, consequentemente, nossa capacidade de criar: Código Genético, Padrões Adquiridos, Interação Social, Inconsciente Coletivo e Ambiente Físico-Social. Entendendo este esquema, você estará mais preparado para alterar seu mindset e, como “brinde”, vai ter realizado uma jornada de autoconhecimento. Portanto, ao completar este primeiro estágio, você estará preparado para iniciar o processo de transformação.

Segundo Estágio | Ao encerrar o primeiro estágio, sente-se a necessidade de descobrir o que fazer concretamente com este conhecimento adquirido. É preciso ter uma palavra de ordem, um conceito que oriente a sua visão de mundo com o objetivo de mudar o mindset de forma efetiva: chamo de Subversão.

A Subversão é uma maneira de entender as coisas que nos rodeiam e de como observá-las. Enxergar além do senso comum. Olhar para as coisas é encontrar outros significados, outras alternativas, outras possibilidades. E isso precisa acontecer de forma ampla e irrestrita em sua vida, no seu cotidiano, na sua vida profissional e pessoal. Mas como incorporar a Subversão em nossas vidas? É aí que entra o terceiro estágio.

Terceiro Estágio | Criar só se aprende criando. A teoria é importante, mas ela isoladamente não promove mudanças reais. Só conseguimos alterar nossa forma de pensar com esforço e dedicação contínua. E só a experiência emocional fará isso acontecer. Exercícios, dinâmicas e constante alerta contra a zona de conforto é a única maneira de evoluir criativamente.

Os 2 estágios anteriores são preparações, são as fundações para a mudança de mindset. A partir deles, nosso desenvolvimento dependerá única e exclusivamente de nosso esforço contínuo. E não existe linha de chegada nesta corrida. Enquanto quisermos ter um desempenho criativo deveremos manter este sistema de dedicação. É como frequentar uma academia: não adianta fazer apenas um mês de exercícios físicos e achar que estaremos em forma para sempre. Enquanto quisermos os resultados, temos de continuar na labuta.

Como a criatividade se relaciona com a capacidade de resolver problemas e conflitos no meio profissional?

Por princípio, a definição de criatividade é justamente a solução de problemas. É claro que é possível resolver problemas sem ser criativo, na verdade é o que mais acontece. Porém, ideias novas que não tem um propósito claro nem resolvem algum tipo de problema ou de necessidade não podem ser consideradas criativas.

Dito isso, o indivíduo só vai conseguir usufruir de uma elevação de sua capacidade criativa se ela for introjetada, ou seja, se realmente passar a ser uma característica pessoal. Quero dizer que ninguém será capaz de ficar mais criativo apenas por uma decisão pessoal. Por isso, sua mudança de mindset deverá ser ampla e irrestrita não reservada apenas a resolver problemas profissionais, mas todos aqueles que a vida se lhe apresentar.

Conflitos entram no mesmo balaio. Sabendo como você funciona e como o outro funciona, adicionado a capacidade de encontrar soluções eficientes, a criatividade sempre será um diferencial.

Como as empresas podem ajudar os profissionais a serem mais criativos?

Como disse, esse tipo de evolução só acontece com grandes esforços. Por isso, se uma empresa quiser fazer um movimento realmente efetivo no desenvolvimento da criatividade de seus profissionais, vai ter de administrar uma mudança de cultura.

Esse movimento certamente vai, num primeiro momento, desagradar a maioria, pois estão todos enredados na zona de conforto, que chamo Zona de Familiaridade. E para realizar essa tarefa, o desejo e a iniciativa deverá vir de cima, do topo da pirâmide. Sem que a direção da empresa esteja engajada na missão, nada acontecerá.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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