Blog do Henrique Szklo

Criatividade: profissão do presente

Você só vai estar preparado para as profissões do futuro se começar a investir no desenvolver de seu potencial criativo hoje

Muito tem se falado que precisamos estar preparados para as profissões do futuro. Ok, mas temos um pequeno problema aí. Ninguém sabe de fato, concretamente, o que vai acontecer daqui a 10, 20 anos. São apenas conjecturas, análises de comportamento, de tendências detectadas em função do andar da carruagem atual. Carruagem? Não seria, por caso, pelo andar dos carros autônomos, já que o assunto é o futuro? Tanto faz.

Futurismo não é ciência. É praticamente uma filosofia. Por isso acredito quer tem muito de filosófico nessa história de profissões do futuro. O cara imagina que seja provável surgir uma profissão daqui a um tempo e aí um adolescente espinhento cria um aplicativo novo que muda toda a história da humanidade. E este evento não dá para prever, claro. Os adolescentes são sempre imprevisíveis.

O mundo está mudando muito rápido, exponencialmente, e realmente tenho sérias dúvidas na capacidade de alguém, por mais inteligente e bem-informado que seja, de antecipar o que vai acontecer daqui pra frente. A despeito de toda a tecnologia atual, nem previsão do tempo de um dia depois podemos cravar.

Fala-se muito das profissões que deixarão de existir. Ok, algumas é possível mesmo prever. Segundo estudos do site estadunidense CareerCast, as 10 profissões mais ameaçadas nos Estados Unidos são: carteiro, trabalhador do campo, leitor de medidores (água, eletricidade, etc), repórter de jornal impresso, agente de viagens, lenhador, comissário de bordo, operador de furadeira, funcionário de gráfica e fiscal de impostos. Já no Brasil fala-se também em operador de telemarketing, operador de caixa, contadores, corretores e até motoristas de ônibus.

As pessoas que por ventura ocuparem hoje uma dessas profissões, e algumas outras não citadas aqui, têm toda a razão de ficarem preocupadas, afinal em alguma medida se prepararam para elas e eventualmente vivem delas há muitos anos, sem um plano B. Uma mudança deste tipo não é fácil para ninguém. Se eu fosse uma delas, porém, não utilizaria meu tempo tentando se preparar para profissões que ainda não se tem certeza que existirão.

Na melhor das hipóteses, investir em profissões que ainda não existem, mas já estão na boca de surgir como condutor de drones ou detetive de dados, exemplo. Eu não me arriscaria por enquanto a mirar o cargo de diretor de portfolio genômico, curador de memórias pessoais, oficial de diversidade genética ou oficial de ética de sourcing, só para dar alguns exemplos do que os especialistas imaginam para um futuro mais ou menos próximo.

Aliás, quando tomei contato com estas profissões exóticas, me deu vontade de sugerir algumas outras: fonoaudiólogo de Inteligência Artificial, auditor de fake news, faxineira de Realidade Aumentada, gestor de likes, advogado de haters…

Mas não podemos deixar jamais de questionar os especialistas. Principalmente aqueles especialistas em eventos que ainda não aconteceram. Por exemplo: alguns afirmam que no futuro precisaremos desenvolver capacidades especiais como garra, empatia, habilidades cognitivas, inteligência emocional, criatividade e coragem. Desculpa aí, mas quando essas coisas não foram necessárias?

Outros dizem – e eu compartilho com suas visões – que com os rumos que a revolução tecnológica está tomando, sequer existirão profissões em alguns anos. Que as máquinas com Inteligência Artificial irão realizar tudo o que fazemos hoje. Seremos todos desocupados procurando alguma coisa para fazer, para matar o tempo.

Acho o futurismo importante, mas quando ele é usado para ajudar as pessoas e não para mata-las do coração com previsões alarmistas. Antecipar tendências deixa a gente mais ligado e esperto, mas não resolve o problema prático. A eminência de ver sua profissão extinta deixa qualquer um apavorado, e com razão. Dizem que em pouco anos milhões de pessoas ficaram desempregadas. Daí se explica porque acredita-se que em 2030, a doença que vai mais matar no mundo será a depressão. A sociedade e os futuristas, portanto, têm a obrigação de tentar acalmar as pessoas, oferecendo alternativas e não apenas se limitando em ser os mensageiros de más notícias, os profetas do apocalipse tecnológico.

Escrevo este artigo justamente para tentar ajudar as pessoas a desmistificar o poder avassalador da revolução tecnológica apresentando uma alternativa muito mais simples e efetiva. Na minha opinião, existe algo a fazer que é muito mais inteligente e que vai deixar você muito mais preparado para o futuro: qualquer que seja ele. Desenvolva sua capacidade criativa.

Uma de minhas crenças mais profundas e que me ajudam muito a levar a minha vida é a certeza de que uma coisa não vai mudar nunca: a necessidade de adaptação e consequentemente a necessidade de sermos cada vez mais criativos.

Nossa habilidade de criar está intrinsecamente ligada à habilidade de nos adaptar às situações. Desenvolvendo sua criatividade, o mundo pode virar de ponta cabeça que você vai estar mais preparado para encarar o monstro. A adaptação nunca é fácil. Mas sendo criativo você vai ter mais ferramentas para lidar com os desafios que as mudanças nos impõem.

Uma última proposta de reflexão: investir numa carreira que ainda não existe é um risco. Investir em criatividade não é.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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