Blog do Henrique Szklo

Como o ser humano se tornou um animal criativo

Tudo começou com o surgimento da Razão

A linha do tempo abaixo é, obviamente, uma ilação filosófica e não o resultado de um estudo científico. Os eventos, se é que aconteceram desta maneira, provavelmente foram se sucedendo de forma quase concomitante e por longos períodos de tempo. Independentemente de terem acontecido ou não, a lógica a meu ver é bem razoável.

Premissa

Todo animal é basicamente reativo, ou seja, leva sua vida apenas respondendo de forma automática e instintiva aos eventos que o atingem. Não há questionamento nem reflexão. Entretanto, há uma circunstância especial que o tira do estado mecânico: a percepção de potenciais e desconhecidas ameaças à sua integridade. Neste momento é acionada uma das principais ferramentas de sobrevivência de todos os animais: o medo. Medo do desconhecido, neste caso. Neste momento, o instinto de sobrevivência se eleva às alturas e o animal é compelido a tomar uma decisão imediata. Porém, aquela ameaça é desconhecida. Então, como reagir a ela? Aí entra outra importante ferramenta de sobrevivência dos animais: a capacidade de improvisar diante do novo.

A linha do tempo da Criatividade

  • Em função de um evento desconhecido, surge a Razão no cérebro de uma determinada espécie de primatas bípedes;
  • Consequência imediata do ítem acima: o notável crescimento de sua capacidade de observação;
  • As incontáveis informações, que até então não eram percebidas ou questionadas, geram um aumento exponencial do medo, incluindo-se aí a consciência da morte. A luta pela sobrevivência ganha um novo sentido;
  • Em sua busca torturante por respostas confortadoras, o homem se dá conta de que explicações (reais ou imaginárias) para os fenômenos à sua volta, diminuem o medo de forma categórica. Passa a criar explicações para tudo o que não entende. E assim se sente mais confortável;
  • Ainda um animal reativo, ao observar com mais atenção, questionar e, em função do medo, desejar de alguma forma controlar os fenômenos que testemunha, aquele primata diferente ganha um bônus formidável: passa a ser também um animal proativo, capaz de interferir conscientemente no ambiente à sua volta em busca de mais e mais conforto;
  • Com o aumento de suas habilidades intelectuais, o primata superior passa a aprender com assombrosa rapidez, tornando-se mais capacitado para experimentar soluções inéditas, empiricamente, resolvendo problemas e atendendo às suas necessidades e desejos por meio da tentativa e erro, observando e/ou copiando tudo o que acontece à sua volta com atenção redobrada;
  • Descobre o prazer de resolver problemas a partir de sua própria iniciativa;
  • Começa a refletir, analisar cenários, associar ideias, fazer análises comparativas, perceber causa e consequência, ter raciocínio abstrato, autoconsciência, noção de passagem de tempo, etc;
  • Passa a resolver problemas mais sofisticados, não apenas aqueles imediatos, antecipando demandas e aumentando seu conforto; físico e psicológico. Para tanto, cria ferramentas; materiais, como lanças, cerâmicas e vestimentas, e simbólicas, como linguagens, normas sociais e rituais;
  • Sente a necessidade de registrar os eventos que testemunha, produzindo as primeiras manifestações de arte e storytelling;
  • O primata agora é um homem racional. E, por consequência direta, criativo.
Arte Rupestre, Caverna de Altamira, Espanha

“A criatividade é um sub-produto da Razão.” Henrique Szklo

Resultado

A Razão, ao alavancar as habilidades e talentos daquele primata, se configura em uma estupenda vantagem competitiva, alçando o homem aos primeiros escalões da cadeia alimentar. Mas nada disso surtiria efeito não fosse um extraordinário efeito colateral: a capacidade de improvisar diante do novo, que antes só era utilizada em casos diretamente relacionados à sobrevivência imediata, com o surgimento da Razão e sua influência direta na evolução espantosa do cérebro humano, se transformou no que chamamos hoje de CRIATIVIDADE.

Leia a continuação deste artigo, com mais detalhes sobre o impacto do surgimento da Razão na vida do ser humano.
Razão: nossa bênção ou nossa maldição?

 

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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