Blog do Henrique Szklo

A verdadeira face de quem compartilha fake news

Estamos todos sofrendo diariamente com verdadeiros rompimentos de barragens virtuais, sendo cobertos pela lama cheia de dejetos em forma de postagens

Autoridades, organizações diversas e a grande imprensa em todo o mundo estão batendo cabeça para encontrar uma vacina eficaz contra a doença que promete corroer a sociedade moderna: as fake news. Quem poderia imaginar que um dia surgiria algo mais nocivo na internet do que os vírus e as invasões de hackers em geral. Até os haters não são tão daninhos, já que seu único interesse é destruir a vida de seus desafetos. Já as fake news têm sido usadas para objetivos muito mais ambiciosos, como, por exemplo, interferir em eleições.

Estamos todos sofrendo diariamente com verdadeiros rompimentos de barragens virtuais, sendo cobertos pela lama cheia de dejetos em forma de postagens. É a era da pós-verdade. Mas pode chamar também de opinião-verdade, já que hoje a opinião das pessoas vale mais do que um tratado científico.

Mas uma coisa é preciso reconhecer: os caras são criativos. Não que precisem ser muito, já que o público não é dos mais qualificados. Tenho a impressão, inclusive, de que os robôs que ajudam a espalhar a sujeira são mais inteligentes do que muitos de seus parceiros humanos. Quem é que tem inteligência artificial nesse ardil, afinal?

Em algumas situações podemos dizer que certas notícias se tornaram verdadeiros clássicos, tamanha a criatividade. Merecedoras de algum tipo de prêmio. Falso, claro. Como eu sempre digo, a classe profissional mais criativa do mundo é a dos criminosos.

Sinto que todo o esforço para conter esse lamaçal irá fracassar em seu propósito. A não ser que eu esteja enganado, a estratégia escolhida peca em sua essência, em seu ponto de partida. Escolheram promover campanhas educativas, ensinando as pessoas a lidarem de forma esclarecida à enxurrada de informações que recebem diariamente em seus smartphones, tablets e desktops.

Não estou dizendo que a iniciativa seja totalmente inútil. É claro que é extremamente positivo sugerir que as pessoas pesquisem a veracidade das notícias antes de compartilha-las de forma compulsiva e doentia. “Segura o dedo aí, tia!”. Graças a estas campanhas, pessoas conscientes, coerentes e justas têm sido impactadas positivamente, estimuladas que são em se comportar de forma correta e civilizada.

A questão é: quantas pessoas conscientes, coerentes e justas existem? Pegou a visão? Estão fazendo um esforço hercúleo para atingir uma minoria inexpressiva da sociedade. Estão dando tiros de canhão para matar ácaros. Não adianta, enquanto não se atacar o verdadeiro problema, as notícias falsas continuarão fazendo a alegria do povo, entre um mugido e outro.

Quando é que os responsáveis pela segurança da internet vão se dar conta de que problema das fake news não é que as pessoas acreditam que as notícias são verdadeiras e por isso as compartilham? O buraco é mais embaixo, minha gente. O problema real e imediato é o caráter, digamos assim, maleável do ser humano.

A maioria das pessoas sabe que algumas notícias têm toda a pinta de serem falsas, mas como ela confirma suas crenças, a verdade deixa de ser prioritária. O ser humano não tem nenhum compromisso com a verdade. O que ele quer mesmo é ter razão. Qualquer coisa que colabore com este objetivo microscópico será sempre bem-vindo. Não é incomum a pessoa ser alertada por um amigo ou familiar e mesmo assim manter a notícia em sua timeline. Por via das dúvidas… Vai que…

Esqueça. Enquanto o ser humano médio for pequenininho, as fake news continuarão singrando pelos mares da internet. Ou seja, não há esperança. Pelo menos foi o que eu li no meu whatsapp.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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