Blog do Henrique Szklo

A depressão me fez criativo

Existem estudos que associam a criatividade à distúrbios mentais. Não estou dizendo que é preciso ser doente mental para ser criativo. Nem que os lunáticos são mais criativos que os terráqueos. Só sei que, bem ou mal, deixa a missão mais fácil

Aos 40 anos fui diagnosticado como portador de Transtorno Depressivo Persistente (TDP), uma depressão crônica de baixo perfil, que acarreta queda de energia e motivação, baixa autoestima e incapacidade de encontrar satisfação nos afazeres do dia-a-dia. Até agora não existe cura, apenas controle por medicamentos e, complementarmente, terapia. Desde que me lembro como indivíduo me sinto, de fato, deslocado, desconfortável, pessimista, de humor oscilante e sensibilidade incompatível com a chamada realidade.

Depressão não é o que você pensa

É bom deixar claro que depressão não é tristeza. Não é falta de força de vontade. Quer incomodar um depressivo, diga a ele que precisa sair, ir no cinema, fazer coisas de que gosta. Ou dizer que a vida dele é tão boa, com a profissão, com filhos maravilhosos e etc. Nada disso ameniza o sofrimento de quem está em crise depressiva. Nem a possibilidade de ganhar na megasena ou ser contratado por uma grande empresa com um ótimo salário mexe um milímetro em nosso estado anímico. Tudo parece inútil.

Lembro que antes de descobrir que era doente, comentava com as pessoas que a vida para mim era um fardo. E ao ser medicado pela primeira vez, o primeiro pensamento que me veio foi: “ah, agora entendi porque as pessoas gostam de viver”. Não foi vitimismo, apenas constatações lógicas. Não fiquei mais nem menos deprimido por causa disso. Na verdade foi uma boa notícia.

Um dos dilemas de viver medicado é a sensação de que nossas emoções ficam embaladas em plástico-bolha. As boas e as ruins. É como viver dentro de uma camisinha emocional. Bem, depende do remédio. Pessoas e medicamentos são diferentes e o trabalho do psiquiatra é encontrar aquele com o qual melhor nos adaptamos. O processo é de tentativa e erro. E os efeitos colaterais são determinantes nessa busca. Apatia, sono excessivo, tendência a engordar e queda de libido são os mais importantes. O depressivo precisa fazer uma escolha de Sofia. Viver intensamente, mas a mercê de crises constantes, ou abrir mão de uma vida cheia de fogos de artifícios e se livrar do fardo? Conclui, depois de várias interrupções, que minha escolha seria a segunda opção. Para o resto da vida. Para mim está claro que antes as emoções eram tão a flor da pele que ao trazê-las para um patamar mais equilibrado temos a sensação de abafamento emocional. Pensamos que o normal era antes, mas, na verdade, o normal é agora. A intensidade emocional com que vivi a vida inteira pode ser muito boa quando estamos na parte de cima da roda da fortuna, porque quando ela gira você quer que o mundo acabe.

As vezes em que parei de tomar remédios, achando que estava sendo o corajoso, o machão que pode enfrentar o monstro, quebrei a cara. Além do estado anímico despencar, chorava por qualquer coisa. Uma pétala de flor caia e eu me emocionava. Hoje, carneirinho humilde e submisso, tomo dois diferentes e, quando a coisa aperta, tomo um terceiro. Machismo não está mesmo com nada.

Antes do remédio, acordava todos os dias como se estivesse no fundo do mar. Todas as pessoas ditas normais estavam ali, boiando na superfície, levando suas vidas. Eu passava o dia inteiro, consumindo minha energia, que já era pouca, apenas para tentar chegar à superfície, o que quase nunca conseguia. Não sobrava nada para lidar com a rotina do dia-a-dia. O remédio me faz hoje acordar na superfície como todo mundo. Continuo tendo momentos alegres e tristes, como todo mundo, mas agora tenho tempo e condições suficiente para navegar e, às vezes até, pegar uma onda ou outra. O remédio me dá, mais do que conforto, tempo.

Na infância era mais ou menos ok. Minha mãe diz que eu era meio “apagadinho”, provavelmente pela tal falta de energia que a depressão provoca. 

Enfim, só

Na infância era mais ou menos ok. Minha mãe diz que eu era meio “apagadinho”, provavelmente pela tal falta de energia que a depressão provoca. Sensível ao extremo, me magoava com as coisas e com as pessoas com imensa facilidade. Chorar era minha maior habilidade. Com o tempo, por defesa, fui criando uma carapaça de autossuficiência que acabou, óbvio, se descontrolando e se transformando em um comportamento isolante e refratário. Inconscientemente, criei um campo de força a minha volta, intransponível até pelas pessoas mais próximas. Foi o jeito torto que meu cérebro encontrou para lidar com as decepções diárias. E, claro, isso foi me afastando cada vez mais de todo mundo. E não devemos nos esquecer que todos aqueles sentimentos de baixa autoestima continuavam lá dentro. Escondidos mas atuantes.

Até uns 10 anos atrás, boa parte de minhas atividades eram realizadas sem companhia. Cinema, futebol, restaurante e viagens, muitas viagens. Não era incomum eu ficar 3, 4 dias ou mais sem ouvir o som da minha própria voz. Meu melhor e pior companheiro era eu mesmo. Não é que não tinha amigos. Tinha, mas sempre mantidos a uma distância segura.

Desculpas esfarrapadas. Ou não?

Sempre fui uma pessoa difícil de lidar, reconheço. Minhas relações pessoais e profissionais foram, em geral, turbulentas. Desencontros e mal-entendidos fizeram parte de boa parte de minha jornada. Quando o remédio começou a fazer efeito pela primeira vez, olhei para o meu passado e entendi algumas coisas. Entendi, por exemplo, que alguns dos efeitos colaterais da depressão eram impaciência, agressividade e egoísmo. O mundo te oprime de tal forma, que você não encontra espaço para aquela flexibilidade tão necessária ao relacionamento humano. O depressivo é, antes de tudo, um frustrado. E como diz o poeta Mano Brown: “frustração, máquina de fazer vilão”. Ou seja, a carapaça não só me protegia como atacava qualquer coisa que se mexesse. O exagerado interesse em si mesmo acontece pelas mesmas razões:  você está sempre tão desconfortável dentro de sua pele que acaba passando a vida preocupado com formas de se livrar do encarceramento mental. Seus olhos perdem a capacidade de olhar pra fora de si mesmo.

Rir é um dos melhores remédios

Minha principal arma para lutar contra o dragão sempre foi o humor. Introspectivo, tímido, inseguro e com baixa autoestima, percebi desde pequeno que fazer as pessoas rir me colocava no radar do convívio humano. Desenvolvi um comportamento quase obsessivo de falar coisas engraçadas o tempo todo. Meu cérebro até hoje reage automaticamente a qualquer coisa que eu veja ou ouça, formulando instantaneamente alternativas potencialmente engraçadas para me expressar.

Mas tudo tem efeito colateral. Em primeiro lugar, ao estar sempre contando piadas, escamoteei minha condição e a maioria das pessoas nunca imaginou que eu poderia ser na verdade depressivo e não um ser humano insuportável por natureza. E outra: o humor utilizado sem controle também pode causar problemas. Meu filho, Gabriel, aos 10 anos, me acusou, com sério semblante e autêntica preocupação, de eu sempre ter de fazer uma piadinha idiota. Após o impacto da afirmação, conclui que ele tinha razão. No passado fiz muitas inimizades por causa disso. Aquela história de não perder a piada… Hoje consigo me controlar. E fazer piadas melhores. Obrigado, filho.

O mundo te oprime de tal forma, que você não encontra espaço para aquela flexibilidade tão necessária ao relacionamento humano. O depressivo é, antes de tudo, um frustrado.

Essa minha faceta sempre foi tão marcante que resolvi abandonar a carreira de publicitário – que, surpreendentemente, foi mais ou menos bem sucedida – para me dedicar exclusivamente ao humor. Lancei livros, fui redator de rádio, criei uma linha de camisetas e tive um site oficial no UOL. Minha mãe sempre me disse que não entendia como uma pessoa depressiva como eu conseguia produzir material humorístico com tanta profusão. Não sei bem. Uma forma de exorcismo, de expiação do mal, acho. Um jeito diferente de me relacionar com as pessoas. Uma tentativa de ser notado e admirado, e, por ser o primeiro a rir de minhas piadas, um jeito de diminuir o desconforto atávico e alimentar meu hedonismo. Rir é mesmo o melhor remédio e faz com que a dopamina faça o trabalho que meu cérebro se recusa a fazer por conta própria.

Depressão dá muito trabalho no trabalho

Mesmo sendo elogiado por todos como um profissional criativo, pulei de agência em agência durante quase toda a minha carreira de publicitário. Fui mandado embora incontáveis vezes e, na maioria, com razão. Não tenho mágoas de nenhuma das pessoas que me despediram (ou quase nenhuma). Eu, no lugar delas, faria o mesmo. Não suportaria lidar com alguém como eu, excessivamente independente e, para piorar, complicado.

Temos estes hormônios naturais justamente porque a vida sem nenhum filtro é cruel e implacável. Sem eles, ninguém conseguiria passar um dia fora do útero materno. Mas eu nasci com um defeito de fabricação, fazer o quê? E na maturidade conclui que não adianta lutar contra algo que não se tem como mudar, sendo justo ou não, até porque o conceito de justiça não existe na natureza. Se é assim, que assim seja. Aprendi a conviver com a depressão como convivemos com um joanete que não cansa de nos importunar.

Rir é mesmo o melhor remédio e faz com que a dopamina faça o trabalho que meu cérebro se recusa a fazer por conta própria.

O amor é o melhor remédio

É claro que tive momentos felizes pré-prozac. Não estou dizendo que minha vida foi um inferno, mas também posso dizer que nunca cheguei perto do paraíso. Conheci o amor verdadeiro, a empatia e a generosidade quando nasceram meus filhos. Ainda sem saber que era depressivo, tive de fazer um esforço descomunal para lidar com meus impulsos autocentrados para me dedicar a pessoas que precisavam de meu amor e atenção. Meus filhos, infelizmente, foram vítimas inocentes do meu distúrbio. Mas acho que eles enfrentaram isso com coragem e desprendimento. E, felizmente, não herdaram meu gene mal-acabado.

Muitos anos depois conheci um amor diferente daquele que tenho pelos meus filhos, que, sejamos honestos, é mais de nós pra eles do que deles para nós. Eles têm a vida deles e, sabiamente, não têm tempo nem interesse em conviver intensamente com os pais. Minha segunda (e última) mulher, a Lena, me apresentou a um amor incondicional que não sabia que existia. Um indivíduo tão orgulhoso de sua solidão emocional como eu agora vive uma vida de compartilhamento total. Finalmente encontrei alguém que veio do mesmo planeta que eu. Vivemos há quase 10 anos juntos, dia e noite, 24/7. Uma quarentena do bem.

Meus filhos, infelizmente, foram vítimas inocentes do meu distúrbio. Mas acho que eles enfrentaram isso com coragem e desprendimento.

Nosso amor foi minha redenção. Minha força para continuar a viver. Ela entende minha depressão e me apoia em tudo, até nas coisas erradas. Ela diz que se um dia eu matar alguém vai me ajudar a enterrar. Além de ser minha referência, minha interlocutora intelectual, minha colaboradora tempo integral e incrivelmente criativa, é uma excepcional empresária. Amigos de longa data se surpreendem com minha “nova” personalidade. Calmo, compreensivo, empático, qualidades que eu já tinha adquirido com os remédios, mas a verdadeira evolução aconteceu mesmo por causa da Lena. Minha autoestima melhorou consideravelmente, mas continuo sendo uma espécie de eremita, vivendo minha vida apenas dentro do restrito círculo de minha família mais próxima.

Um depressivo inconformado

Um círculo vicioso de causas e consequências sempre persegue o depressivo. Deprimido, as coisas não dão certo. Em as coisas não dando certo, fica-se mais deprimido. Tiro no pé sempre foi meu esporte favorito. A partir de um certo momento em minha vida comecei a questionar o porquê de todas as minhas armadilhas pessoais. Nunca aceitei ser como era, mesmo antes de saber a causa. Me culpava muito, na verdade, por ser diferente – no mal sentido – da maioria. Sempre disse que a minha sorte é ser um depressivo inconformado.

Nada é bom ou mau em sua totalidade e o mesmo pode se referir à depressão. Sem querer entrar numa de autoajuda e exemplo de superação, hoje sei que a depressão é um elemento fundamental na minha formação e construção como ser humano. Para o mal, como já vimos, mas também para o bem. Graças a ela, por exemplo, desenvolvi a habilidade de pensar profundamente sobre as coisas, tentar saber como elas são e buscar alternativas para lidar da melhor forma com elas. O tal do inconformismo que mencionei antes. Outra vantagem: Alfred Hitchcock disse numa entrevista à Françoise Truffaut que, como era gordinho, tímido e esquisito desde a infância, sempre foi excluído. Então, ao invés de participar dos grupos e suas atividades, se tornou um observador atento e detalhista da natureza humana, e o que foi determinante a ser o extraordinário diretor que foi. Sinto que comigo ocorreu o mesmo fenômeno. É muito diferente estar dentro de um processo de estar à distância, observando. Você vê o todo, o que facilita um olhar crítico mais preciso.

A depressão me fez reflexivo, observador, destemido. Me deu profundidade e dimensão. Me fez a pessoa que sou hoje. Ao observá-la numa perspectiva histórica, ela também me trouxe lições valiosas e me deu coragem. Corajoso é aquele que enfrenta os perigos com disposição porque não faz ideia do perigo. Por isso acho que coragem é o mesmo que ignorância. Fiz coisas em minha vida que muita gente sem depressão não conseguiria fazer. Mas como disse, não foi exatamente coragem. Quando não temos nada a perder fica mais fácil lidar com o risco. Quando não temos nada a perder não precisamos ficar tão preocupados com as consequências. Tudo passa a ser uma aposta válida.

…hoje sei que a depressão é um elemento fundamental na minha formação e construção como ser humano.

Hoje tenho uma visão clara da minha vida antes e pós-medicação. Reforçada pelo fato de ter parado várias vezes com a esperança de estar “curado”. Mas a realidade sempre me deixou claro que não existe cura para meu distúrbio, pelo menos não até hoje. Ao mesmo tempo em que temo por uma crise mundial que acabe com as indústrias farmacêuticas, sonho com um chipizinho implantado nesse cérebro manco. É isso: sou um depressivo com esperança.

Mesmo com o remédio, continuo com minha luta diária. Meu cérebro foi formatado na versão depressiva. Ele aprendeu a funcionar assim e é assim que ele funciona. Não sinto mais aquelas dores lancinantes que tomam nossa alma e nosso corpo durante uma crise, mas tive de aprender a fazer gestão do meu pensamento porque ele, se eu deixar, vai para o lugar onde aprendeu a se sentir confortável: o sofrimento. E esta gestão também me ajuda em outras questões relevantes em minha vida. Continuo resistindo à tentação de demonizar aquilo que sou. Ainda eventualmente me culpo por atos e palavras proferidas em vários momentos de minha vida. Um exercício diário de tolerância.

A criatividade salvou minha vida

Para um excluído, tímido e com problemas de autoestima, até que eu me dei razoavelmente bem. Não sou bom moço nem quero ser. Aliás, desconfio daqueles que dizem que são. O que eu posso dizer é que sou absolutamente honesto comigo mesmo, com o que eu penso e sinto, e na medida do possível, estendo esta honestidade com aqueles que me relaciono. Não sou comprometido com o erro. Não faço questão de estar certo, mas estar o mais certo possível, por isso aceito críticas às minhas ideias desde que os argumentos sejam irrefutáveis dentro da minha lógica. E gosto de pensar que tudo o que faço é fruto do que acredito, sem muitas concessões, o que dificulta o trato com os outros, mas me mantem íntegro. Minha vida é a ampliação do conhecimento e de seu compartilhamento. Amo o que faço, mas como em todo amor, às vezes nos desentendemos, ficamos sem falar por um tempo, mas, inevitavelmente, voltamos às boas.

Foi agradável viver a vida toda com esta espada no pescoço? Não. Mas hoje, maduro, consciente e, principalmente, medicado, tenho orgulho do meu trabalho atual sobre criatividade e até onde cheguei. E mais: sei que jamais entenderei um milionésimo de como as coisas se dão em nossa cabeça, e por isso, enquanto estiver vivo, sentirei aquele prazer intenso ao encontrar mais uma conexão, compreender mais um pequeno comportamento, descobrir um jeito de lidar com vicissitudes e seguir a minha jornada de explorador e amante da criatividade e do comportamento humano.

A criatividade salvou a minha vida. Mas se não fosse a depressão, não haveria o que salvar, e eu perderia a chance extraordinária de mergulhar nas profundezas de mim mesmo e poder compartilhar com outros todas as minhas descobertas. A propósito, digo que a criatividade em seu estado mais puro surge quando mergulhamos fundo em nossa alma e voltamos para contar aos outros o que vimos. O bonito, mas principalmente o feio. Aquele feio que a maioria das pessoas se nega a enfrentar. Mas é justamente a coragem de lidar com nosso lado negro que nos faz mais plenos, equilibrados e conscientes de quem somos de verdade. Seria melhor se eu não tivesse depressão? Não sei. O que eu sei é que, já que não tem jeito, precisei encontrar uma maneira de me utilizar da doença a meu favor.

Mas hoje, maduro, consciente e, principalmente, medicado, tenho orgulho do meu trabalho atual sobre criatividade e até onde cheguei

A depressão, veja só, também tem suas vantagens

Há uns 20 anos comecei a desenvolver minha teoria da criatividade, para saber porque criamos, porque não criamos, qual a dificuldade, quais os obstáculos, onde está o fio da meada. Hoje, observo o comportamento humano e me coloquei a missão de entender o máximo que pudesse. Isso tem me trazido informações tão relevantes e extraordinárias, que às vezes até agradeço a Deus, em quem não acredito por sinal, por ser assim. A depressão me fez criativo.

Existem estudos, aliás, que associam a criatividade à distúrbios mentais. Não estou dizendo que é preciso ser doente mental para ser criativo. Nem que os lunáticos são mais criativos que os terráqueos. Só sei que, bem ou mal, deixa a missão mais fácil.

Depressão nada mais é do que um imenso desconforto. E o desconforto é um dos grandes impulsionadores da criatividade. O senso de urgência nos faz procurar saídas que não teríamos coragem de não buscaríamos de outra maneira. Guerras são as maiores aceleradoras de inovação de nossa história. E a pandemia do coronavirus é um desses momentos históricos. Não existe nada que seja só ruim ou bom. Essa crise vai trazer coisas boas também. Nos fará refletir sobre a vida e sobre nós mesmos.

É importante compreender que a angústia, a ansiedade e a melancolia não são necessariamente nossas inimigas. A sociedade exageradamente hedonista está tomando um choque de realidade. Está sendo obrigada a aprender a lidar com essas emoções e não simplesmente rechaça-las, como o diabo da cruz. O mundo atual vendeu a falácia que devemos viver buscando o prazer a qualquer custo. Momentos difíceis são impulsionadores de momentos melhores. A simples negação do sofrimento, não nos libertará, ao contrário, nos fará empacarmos nele. Na crise encontramos mais ferramentas para desenvolver nossa criatividade. Até porque a ansiedade, insegurança e angústia são parceiras inevitáveis do processo criativo. Conscientes de que a vida é feita de ciclos, utilizaremos o sofrimento como motivação e não como maldição. Eu sei que é fácil falar, mas pode confiar em um especialista na área.

Depressão nada mais é do que um imenso desconforto. E o desconforto é um dos grandes impulsionadores da criatividade.

Palavra de um não-depressivo

“Pronto, está tudo aí, sem reservas. Claro que falta muita coisa. Resisti à tentação de mostrar lados mais negros da minha vida secreta. Minhas iniquidades não são tão nocivas assim, a ponto de justificar destaque especial. Me parecem insignificantes. Em compensação, não contei algumas das coisas mais decentes que tenho feito. Também carecem de ímpeto e magnitude. Houve vezes que confundi as duas listas: cheguei a me encolher de vergonha ante a lembrança de uma boa ação e a ficar radiante com a de uma má.”, afirmou o cineasta John Huston em sua autobiografia Um Livro Aberto, uma das grandes referências em minha vida.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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