Ópera Bufa

Papai Noel filho da puta!

Estreia de uma nova aula em nossa escola: revival do site de humor Ópera Bufa

Divertimento, informação e lavagem cerebral. Em 2004 resolvi criar um site de humor chamado Ópera Bufa. Na época não existiam as redes sociais e eu achei que seria só uma maneira de me divertir. Mas a brincadeira ficou séria quando o UOL me convidou para me tornar um de seus sites oficiais de humor. Quatro anos depois, cansado de trabalhar com graça e de graça, encerrei as atividades do site.

ATENÇÃO: Àqueles de coração sensível e adeptos ao politicamente correto, sugerimos não seguir adiante já que o texto foi escrito no início dos anos 2000 e naquela época as coisas eram muito diferentes.

Querido Papai Noel,

Divertimento, informação e lavagem cerebral

A minha mãe mandou escrever esta cartinha para o senhor, mas eu devo confessar que foi contra a minha vontade. Ela me obrigou, aquela chata. Eu disse pra ela que não acreditava no senhor e ela quase me bateu. Eu disse, então, que na melhor da hipóteses, o senhor era um filho da puta sem tamanho, já que nunca trouxe nada do que eu pedi. Durante anos fui um menino exemplar, só tirava nota boa. Eu era o mais bonzinho da classe e o mais simpático do bairro. Todo mundo gostava muito de mim. E me pergunta se adiantava alguma coisa. É claro que não e o senhor sabe muito bem, como um filho da puta que é. E todo ano era a mesma coisa: muita bondade, muita educação, muita disciplina, mas presente que é bom, nada.

Cansei de escrever cartinhas pro senhor contando como fui um bom menino e prometendo melhorar sempre. No final, como de praxe, eu fazia uma pequena lista de presentes que gostaria de ganhar. Nada muito oneroso, nada que um Papai Noel de classe média não pudesse comprar. Nada que um filho da puta de classe média não tivesse condições de adquirir. E, o senhor sabe muito bem, jamais recebi nenhum destes presentes. Nadinha! Zero! Que bom velhinho, que nada! É um bom filho da puta, isso sim!

Na verdade, se eu fosse o senhor, preferia mesmo não existir. Porque, do contrário, não sobreviveria cinco minutos lá na minha quebrada. O que tem de neguinho querendo pegar o senhor de pau não é brincadeira. Seu nome tá bem sujo por lá, viu, seu filho duma puta!

Aliás pra mim o senhor é boiola. Fica só sentado colocando a molecada no colo. Eu, hein? Se a polícia investigasse sua vida, garanto que ia descobrir que o senhor é um pedófilo nojento. Nojento e filho da puta. E bebum, ainda por cima. É, porque essas bochechinhas vermelhinhas e essa cara de bobo alegre nunca me enganaram. Pensa bem: quem em sã consciência sairia por aí com essa roupinha ridícula, parecendo uma cereja gigante com chantili? Só se estiver mamado, não é não, hein, seu filho de uma puta?

E essa barriga indecente? Chega a ser uma afronta num país onde tanta gente morre de fome. Mas o senhor não tá muito preocupado com esse pessoal não, né? O seu negócio é aparecer na televisão, todo metido a besta. Se achando artista de novela, fazendo comercial de tudo quanto é shopping center. Pensa que eu não sei que é tudo mentira? Me disseram até que quem inventou o senhor foi a Coca-Cola. Não me espantou nada, afinal, pra mim o senhor não passa de um arroto. Um arroto filho da puta.

Mas, fala a verdade, Papai Noel: o senhor não se incomoda nem um pouco em ser tão filho da puta? Não mexe com seu orgulho, sua auto-estima? Eu, se fosse metade do filho da puta que o senhor é já teria me matado. E enforcado aquelas renas boiolinhas antes.

Mas voltando ao assunto, a minha mãe mandou eu escrever esta cartinha pro senhor pra dizer que eu fui um bom menino este ano e queria ganhar de presente a diminuição da minha pena aqui na detenção. Mas como eu sei que o senhor é um grandessíssimo filho da puta, se bobear, a pena até aumenta. Bem, já fiz o que minha mãe pediu, agora o senhor pode pegar esta cartinha e enfiar no cu. E um Feliz Natal pro senhor.

Originalmente publicado no site Ópera Bufa em 2005

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Amaral, o amoral

Entidade que habita nosso cérebro com a capacidade de pensar em qualquer coisa, sem julgamento. Um ser amoral, separado de nossa consciência, nossas crenças e visão de mundo. Graças ao Amaral, conseguimos criar sem a preocupação de estarmos indo contra a nossa própria lógica, ignorando tranquilamente os conceitos de "certo" e "errado".

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