ItáliaO que podemos aprender

A Torre de Pisa e os caminhos tortos da criatividade

Os deuses da criatividade nem sempre escrevem certo

Workshop gratuito "Os 28 Algoritmos das Mentes Criativas"

Quando pensamos em monumentos marcantes do turismo internacional, provavelmente nos vêm à cabeça a pujante Torre Eiffel, o sólido Big Ben e um campanário simplório com sérios problemas de projeto: a Torre de Pisa.

A famosa torre fica na cidade italiana de Pisa, no Campo dei Miracoli, composto de uma catedral, um batistério e a própria torre.

A lambança não foi obra de apenas um infeliz engenheiro. Ele teve ajuda. Vamos dizer assim que foi um coletivo de gente bem-intencionada. E você sabe o perigo que são as pessoas bem-intencionadas. Acredita-se que o projeto original tenha sido de um cara chamado Diotisalvi, que aparentemente também estava construindo o batistério ao lado.

O objetivo original da torre era ser um campanário para a catedral de Pisa. Em 1172, uma rica viúva italiana chamada Berta di Bernardo deixou 60 moedas em seu testamento para um grupo encarregado de construir a torre.

A construção começou em 1173 em uma vala de aproximadamente 1,5 metro de profundidade e feita de argila, areia e conchas. A obra durou até 1178, quando a torre atingiu apenas três andares, porque já dava para perceber uma pequena inclinação.

Um século depois a construção foi retomada, quando decidiram continuar a obra com a construção de pisos sucessivos com uma curvatura na direção oposta à inclinação. Coisa de gênio.

O campanário finalmente adicionado em 1372, causando mais inclinação, que continuou a aumentar ao longo dos anos. A construção continuou até se completar em 1350, atingindo uma altura de 56 metros com 8 andares, 7 sinos e um peso de 14.523 toneladas.

Num trabalho de restauração realizado entre 1990 e 2001 a torre, que estava inclinada com um ângulo de 5,5 graus, recuou para 4 graus. Sensores subterrâneos foram instalados para medir as variações e hoje ela está praticamente estável.

O que você pode aprender

A Torre de Pisa é a prova concreta de que o sucesso de uma ideia não está necessariamente relacionada ao seu equilíbrio, harmonia e perfeição.

Aparentemente, esse campanário só virou o que virou por causa de sua inclinação exótica. Fosse uma torre tradicional em seus 90 graus, mesmo dona de uma estética notável, provavelmente não teria a atenção e a fama que tem. Ou seja: o carisma da ideia se deve justamente a um erro, uma imperfeição, uma anomalia. Isso a transformou numa obra única, inusitada, que merece a visita e o assombro de milhares de pessoas todos os anos. O mesmo fenômeno ocorre, por exemplo, com a escultura da Vênus de Milo e sua notória carência de braços.

 

close

Cadastre-se na nossa Newsletter

Política de Privacidade

Mostre Mais

Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios