Blog do Henrique Szklo

22 comportamentos que emperram sua criatividade

Instruções claras que vão fazer você finalmente se livrar das amarras que te impedem de usar toda a sua criatividade

Vejo por aí muita gente dizendo o que é preciso fazer para ficar mais criativo. Para mudar um pouco este cenário, resolvi fazer uma lista do que não é para fazer. Seu potencial criativo está com o freio de mão puxado? Então chegou a hora de liberar geral. Siga estas instruções e tome impulso em sua vida.

1) Achar que não é criativo

A pessoa que não acredita em sua capacidade criativa está, na verdade, contrariando a natureza, pois está mais do que comprovado que todo mundo é criativo. O problema é não saber como, por onde começar, não conhecer técnicas de desbloqueio, de geração de ideias, não ter rodagem nem desenvolver-se psicologicamente para suportar os desafios inerentes ao processo criativo. Quem acha que não é criativo vive a vida pela metade, desperdiçando uma de nossas mais importantes habilidades, responsável direta por nossa evolução, conformando-se com uma limitação que evidentemente não existe.

2) Achar que é criativo

Quem acredita que é criativo corre o risco de se encantar demais com a imagem no espelho. Inebriar-se com seu imenso talento. A luz brilhante que ilumina o céu dos simples mortais. Mas confiança demais faz com que deixemos de nos desafiar, de aceitar o erro, de acreditar que podemos falhar, nos deixando relaxados, negligentes, frouxos. Mesmo os grandes criativos, em inúmeras vezes na vida, passam por crises em que questionam sua capacidade, sua vocação, seu engenho. E é isso que os faz grandes. Quem se acha, se perde. Por isso, quem acha que é criativo está negando o próprio princípio da criatividade que é a imprevisibilidade e a mutação permanente das coisas.   

3) Ser perfeccionista

A necessidade de fazer tudo ficar perfeito, além de inútil, provoca bloqueios criativos e incapacidade de levar adiante ideias arriscadas e sem garantias de sucesso. Na maioria das vezes o perfeccionista não consegue nem dar o primeiro passo, pois se perde em sua obsessão asfixiante. Desiste antes de começar a criar porque não sabe como sair desse labirinto mental. É escravo de seu próprio desejo de ser especial, inteligente e criativo. Não sabe que a perfeição absoluta só existe no mundo do faz-de-conta. O temido “branco” é filho do perfeccionismo. Por isso o perfeccionista é como um surfista que entra todo dia no mar, sem jamais ter pego uma onda porque nenhuma é boa o suficiente.

4) Não ser perfeccionista

Quem não está preocupado com a qualidade do trabalho criativo vai sempre ficar no meio do caminho. Ideia pela metade é o mesmo que ideia nenhuma. Como temos forças poderosas em nosso cérebro que lutam incansavelmente contra pensamentos originais, se não fizermos uma força inversa, maior até do que aquela que nos oprime, estacionaremos na zona de conforto a espera de um guincho que nunca vai chegar. O propósito do criativo deve ser atingir a perfeição, mesmo sabendo que jamais chegará so patamar máximo. É o que eu chamo de Utopia Criativa, a busca incessante pela excelência, negando o banal, o corriqueiro, o inofensivo. Não ser perfeccionista é o principal passo rumo à mediocridade criativa.

5) Ter medo de errar

Quem tem medo de errar, não arrisca. E quem não arrisca não consegue produzir ideias criativas. O risco é inerente ao processo. E quanto maior o risco, maior o medo, claro.  Precisamos, pois, enfrentar o temor com coragem e determinação. Ele jamais desaparecerá, pois é uma ferramenta de sobrevivência do ser humano, mas, se compreendido em seu propósito e funcionamento, poderemos dar mais alguns passos além do que consideramos suportável. O medo de errar, já disse alguém, tira a coragem de acertar.

6) Não ter medo de errar

O medo nos alerta em situações de possível ameaça. É uma ferramenta de sobrevivência do ser humano que nos ajuda a evitar cometer erros maiores do que os que já cometemos de forma industrial. Não ter medo de errar faz com que não tenhamos nenhum filtro, nenhum critério, que levemos adiante ideias estapafúrdias sem a menor noção de que estamos, na verdade, nos expondo ao ridículo. Toda ideia criativa é nova e original, mas nem todo ideia nova e original é criativa. O medo de errar melhora nossa pontaria. Nos faz mais cuidadosos e cirúrgicos.

7) Focar no público-alvo

Quem se preocupa demais com o que os outros vão pensar, acaba ficando preso, sem condicional, no senso comum, no velho mofado, no cheiro de naftalina. O novo, o diferente provoca uma resposta inconsciente – e instantânea – nas pessoas, fazendo com que elas rejeitem coisas que sequer pararam para analisar. Não há julgamento de valor. É atávico. Ninguém gosta de ter suas crenças questionadas, sua visão de mundo contestada. E para evitar isso, são capazes inclusive de atos de violência, tamanho é o desconforto provocado. Criar para essas pessoas, portanto, exige a coragem de nadar contra a maré.  Mas não é todo mundo que topa enfrentar esse calvário. É isso: quem se preocupa com a opinião do público-alvo fica bem com todo mundo. Menos com a criatividade.

8) Não focar no público-alvo

Somos uma espécie gregária, obrigados geneticamente a viver em grupo. Mesmo que não queiramos, somos muito preocupados com o que os outros pensam sobre nós e sobre o que fazemos. Se a opinião dos outros não tivesse nenhum valor, não seríamos capazes de formular critérios nem nos reunirmos em grupos sociais. Mas, mais do que isso, quando criamos alguma coisa, a ideia resultante deverá obrigatoriamente resolver o problema de alguém. Suas opiniões, obviamente serão fundamentais. Ignorar o julgamento de nossas ideias é muita prepotência. Achar que os outros devem se adaptar às suas ideias e não o contrário é o cúmulo da soberba. Quem cria sem focar no público-alvo nada mais é do que um egocêntrico criador de bravatas.

9) Não sair da zona de conforto

Quem jogou sua âncora na zona de conforto sempre terá uma imensa dificuldade de criar, porque as ideias novas são, por definição, contrárias ao senso comum, aos padrões consagrados pelos grupos sociais. E isso, ninguém perdoa. Quem não consegue abrir mão da zona de conforto será refratário a qualquer ideia que minimamente ofereça algum risco de incomodação. Mas não por vontade própria. Seu inconsciente o fará acreditar que aquele desconforto é, na verdade, um julgamento de valor e não uma rejeição provocada por nosso sistema automático de sobrevivência que privilegia somente o que já conhecemos. Não sair da zona de conforto nos faz covardes demais para criar.

10) Sair da zona de conforto

Esta crença de que precisamos sair da zona de conforto para sermos criativos e inovadores é bem questionável. Todo criativo funcional não se atém ao processo, que é claramente desconfortável, e sim ao propósito. Ele fecha os olhos e os sentidos para a dor e mira no propósito de gerar ideias que funcionem e que as pessoas reconheçam como criativas. Em isso acontecendo, a próxima parada é justamente a zona de conforto: reconhecimento, carinho, autoafirmação, dinheiro, qualquer coisa que seja de alguma forma recompensador. Sair da zona de conforto é coisa de masoquista, não de criativo.

11) Não ouvir sugestões

Nenhuma ideia é perfeita e livre da necessidade de evolução. Mesmo as melhores. Muitas vezes, estamos tão mergulhados em seu desenvolvimento que deixamos passar muitos detalhes que apenas um olhar externo e imparcial pode detectar, transformar de forma expressiva. Às vezes uma vírgula pode ser a diferença entre o ótimo e o genial. É preciso ter um distanciamento que o autor de uma ideia dificilmente consegue ter. Além do mais é um comportamento inteligente do criativo, pois a ideia – e os créditos – serão sempre dele. Quem não ouve sugestões joga água na fagulha que desperta nosso cérebro para a criatividade.

12) Ouvir sugestões

As pessoas, em sua maioria, têm uma visão muito pragmática da vida. Buscam a segurança que as certezas enganosamente proporcionam. Uma ideia criativa provocará arrepios em suas espinhas padronizadas. Em seu íntimo, têm convicção de que tudo o que contradiz suas crenças é um erro imperdoável. Acham que o questionamento de seu status quo é nocivo e ameaça o equilíbrio em que pensam viver. Se o criativo ficar ouvindo desse povo o que acham de suas ideias, será atropelado por uma profusão de palpites tão encharcados de senso comum, chavões e frases feitas, que certamente as desfigurarão e as levarão diretamente para a vala comum dos clichês. Só quem cria uma ideia tem condições de compreender suas nuances, suas entrelinhas, a importância de cada mínimo detalhe. Quem ouve sugestões está pedindo para jogar sua imaginação no lixo.

13) Não ter conhecimento da matéria

É condição inegociável que se conheça o assunto relacionado ao problema que você tem que resolver. Não há como ter ideias com expectativa de bons resultados se não soubermos detalhadamente o que estamos fazendo, que problema temos de resolver, quais são os obstáculos, o contexto, os cenários possíveis, os códigos relacionados ao público-alvo, enfim, tudo. Mesmo que você não saiba nada antes de iniciar o processo criativo, pode pesquisar e aprender o suficiente para obter bons resultados. Quem melhor que um engenheiro para solucionar um problema de engenharia? Não ter conhecimento da matéria transforma qualquer um em analfabeto criativo.

14) Ter conhecimento da matéria

Quanto mais profundamente conhecemos um assunto, mais sólidos, resistentes e cristalizados ficam nossos padrões. As raízes profundas de nossas crenças nos alimentam de certezas inquestionáveis. Pensar em algo estrangeiro àquilo que estudamos ou que vivenciamos durante muitos anos é considerado pelo nosso cérebro como despropositado. Todos em seu círculo profissional concordam com uma série de doutrinas que já foram testadas e aprovadas por toda a classe. Pensar diferente de seus iguais é um risco que a maioria não pretende correr, sob pena de rejeição e isolamento. Sabemos demais para botar tudo a perder. Nos sacrificamos por anos para acumular nosso conhecimento. Somos orgulhosos dele. Na verdade, nem passa pela cabeça de um especialista de longa data questionar seu repertório. Ter conhecimento da matéria, portanto, mais bloqueia o pensamento criativo do que liberta.

15) Não ter um bom ambiente de trabalho

Quando você está em um lugar que não lhe traz nenhum tipo de conforto e harmonia, é desestimulado a criar e o desejo de conceber ideias criativas se esvai como água no ralo. Para criar é preciso que estejamos aconchegados, nos sentindo bem, estimulados por elementos externos. O belo atrai o belo. Como nosso cérebro contém mecanismos que buscam evitar que quebremos padrões, qualquer coisa é motivo para nos desmotivar. E um ambiente degradante faz esse trabalho muito bem. Não ter um bom ambiente dilacera nossa criatividade.

16) Ter um bom ambiente de trabalho

Quanto maiores os obstáculos, maior a necessidade de sermos criativos. Quanto menos estrutura, idem. O verdadeiro criativo é aquele que consegue extrair de si mesmo soluções extraordinárias em ambientes hostis. O bom ambiente nos deixa felizes, acolhidos e aninhados, nos fazendo sucumbir docemente à zona de conforto. Não temos razões suficientemente fortes para criarmos algo que nos livre do perigo iminente. Está provado que a guerra é o maior impulsionador da criatividade na história do homem. Muito do que nos ajuda a viver hoje foi criado na aflição e urgência de batalhas sangrentas. Pessoas mimadas precisam de bons ambientes. Criativos não precisam.

17) Não ter empatia

Quando estamos criando algo para solucionar problemas de outras pessoas, é fundamental que nos coloquemos em seu lugar para que entendamos suas reais motivações, objetivos, desejos e necessidades. Sem isso, estaremos criando no vazio, para ninguém e, portanto, jamais poderemos ser considerados criativos. Nosso trabalho será inócuo e, quando não, leviano. Nada além de um devaneio. Do que adianta uma ideia ser genial se as pessoas para quem criamos não entenderem, não gostarem, não se interessarem? Como criativos não temos o direito de apresentar o que der na veneta. Não ter empatia, portanto, é usar a criatividade como capricho pessoal.

18) Ter empatia

Não existe nada mais prejudicial ao processo criativo do que a necessidade de agradar as pessoas as quais você quer impactar. Agradar, na maioria das vezes, significa oferecer algo que elas já têm, desejam ou imaginam ter. Uma ideia verdadeiramente original e impactante vai provocar – num primeiro momento – desconforto, rejeição, incompreensão, até que, se for realmente útil, aos poucos nos acostumaremos a ela, passando a entender suas qualidades e utilidades para finalmente abraça-la com carinho. O Steve Jobs cansou de trazer ao mercado produtos tão inovadores que nossa primeira reação era “pra que serve essa droga?”. E, em brevíssimo tempo, lá estávamos nós numa fila imensa para garantir o nosso. E tem mais: essa coisa de tentar se colocar no lugar do outro é pura balela. Ninguém sabe o que é estar na pele de outra pessoa. É muita pretensão, isso sim. E mais: a função do criativo é gerar impacto, não é fazer amizade. Por isso, ter empatia debilita ainda mais nosso já frágil impulso de sermos criativos.

19) Não prestar atenção no mundo a nossa volta

Para criar, precisamos do que eu chamo de indutores. Elementos de qualquer tipo que de alguma forma proponham novas conexões em nosso cérebro. A maioria das coisas que nos cercam já são de nosso conhecimento. Porém, o cérebro não é capaz de lembrar de todo o nosso repertório. São milhões, bilhões de informações que estão lá em nossa biblioteca mental e é óbvio que não há como acessá-las simultaneamente. Por isso é fundamental que estejamos o tempo todo atentos ao que nos cerca para que, a qualquer momento, sejamos alvejados por uma palavra, um objeto, um som que, por mais insignificante e prosaico que pareça, nos envie para um lugar diferente, novo, original. Não prestar atenção no mundo à nossa volta é fechar os olhos para nosso potencial criativo, traindo o legado de Leonardo da Vinci.

20) Prestar atenção no mundo a nossa volta

O processo criativo exige foco absoluto. Não podemos deixar que nosso pensamento seja atraído por elementos alheios ao propósito do momento. Não pode haver distrações. Nosso cérebro é uma máquina que é constantemente atraída por frivolidades. Basta um passarinho piar e lá se vai o fio da meada. Ele é dispersivo e curioso demais nos momentos em que necessitamos de determinação e disciplina. Olhar para o que estiver à nossa volta sem um propósito definido irá solapar nossa concentração, amordaçar nossa imaginação, nossa viagem interna em busca da grande ideia. Nossos olhos e nossa mente devem estar permanentemente conectados ao processo. Olhando para dentro da gente, buscando sonhar acordados. Por isso, prestar atenção no mundo a nossa volta provoca uma verdadeira cegueira criativa.

21) Se comparar aos outros

Jamais devemos nos comparar aos outros, principalmente se o assunto é criatividade. Cada um tem sua capacidade. Cada um tem sua maneira de resolver problemas. Se alguém aparenta ser mais criativo que você, saiba que ela trabalhou para estar lá. Ninguém fica muito criativo do dia pra noite. O mais producente e sensato é que você se compare a si mesmo ao longo do tempo, observando sua evolução e, no seu ritmo pessoal, caminhando para patamares cada vez mais altos. Comparar-se criativamente aos outros é coisa de gente com baixa autoestima,  podendo trazer humilhação e desânimo, aniquilando qualquer possibilidade de desenvolvermos uma jornada criativa.

22) Não se comparar aos outros

A natureza, por definição, é competitiva. Todo o seu funcionamento é baseado no confronto de forças diversas que lutam para ocupar mais espaço. E como todos fazemos parte desta mesma lógica, temos o mesmo comportamento, ou seja, somos competitivos. E a competição é a melhor maneira de nos empurrar pra frente, nos fazer ultrapassar nossos limites. Sem competição, nos satisfazemos com nossa posição, caminhando a passos largos para mediocridade. Nunca conheci um criativo de respeito que não ficasse inconformado com as boas ideias de outro profissional, para, em seguida, obrigar-se a superá-lo. Não se comparar aos outros nada mais é do que medo de descobrirmos que não somos verdadeiramente criativos, mas uma farsa.

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Henrique Szklo

Nascido em Belo Horizonte (MG) e graduado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, Henrique exerceu durante 18 anos a profissão de publicitário na área de criação, como redator e Diretor de Criação. Hoje é estudioso da criatividade e do comportamento humano, escritor, professor, designer gráfico e palpiteiro digital. Desenvolveu sua própria teoria - NeuroCriatividade Subversiva - e seu próprio método - Gestão do Pensamento. É professor no MBI da UFSCar, escreve no site Proxxima (M&M), é coordenador do curso de criatividade da Escola Panamericana de Arte e Sócio da Escola Nômade para Mentes Criativas. Tem 8 livros publicados (humor e criatividade) e é palestrante de sucesso com passagens pelas principais capitais do país. É palmeirense.

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